Itamar vê com ceticismo declaração de Dilma sobre Irã

Senador eleito diz que o Congresso deverá estar atento à política externa do novo governo

Agência Estado |

O ex-presidente e senador eleito Itamar Franco (PPS) recebeu com ceticismo a declaração da presidente eleita Dilma Rousseff , que discordou da posição brasileira na Organização das Nações Unidas (ONU) de se abster de votar uma condenação às violações dos direitos humanos no Irã. Itamar considerou uma "discordância pequena" em relação à atual política externa.

Já para o presidente nacional do PPS, deputado federal eleito Roberto Freire (PE), a manifestação de Dilma chegou "atrasada", mas indica que ela não se comporta como "uma cópia fiel, uma marionete total" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os dois participaram hoje de uma reunião da Executiva do PPS-MG, em Belo Horizonte.

Na opinião do ex-presidente, a política externa do futuro governo é algo para o qual o Senado terá de estar bastante atento. "É uma discordância pequena face ao contexto do que está colocado: o problema do Oriente Médio, particularmente o problema do Irã. Nós temos de aguardar quais serão as outras definições", afirmou Itamar, ao comentar a declaração de Dilma, que disse em entrevista ao jornal norte-americano The Washington Post que não concorda com a abstenção brasileira na ONU.

O ex-presidente sugeriu que é prematuro, a partir apenas dessa declaração, interpretar que a política externa no futuro governo poderá sofrer uma guinada. "Ela nem ainda confirmou seu ministro das Relações Exteriores", observou. Freire viu na posição da presidente eleita uma "luzinha no fim do túnel", mas ressaltou que não estava aplaudindo a petista. "Até porque ela chegou muito atrasada", disse. "Mas é algo que é bem melhor do que o Brasil continuar com aquele voto absurdo, que foi a abstenção do governo na questão do Irã. Se você quiser dizer com isso que eu estou aplaudindo ela, não."

De acordo com o presidente do PPS, o fundamental para o País é que o ocupante do Palácio do Planalto tenha "um mínimo de personalidade". "O risco que a gente estava vendo é que ela (Dilma) não tivesse nenhuma, fosse uma simples marionete. Mas com essa atitude, isso dá, de qualquer forma, uma luzinha no fim do túnel."

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