Itamar teve papel central na implantação do real

Para Rubens Ricupero, sem Itamar não haveria o Plano Real e a estabilização da economia que levou FHC à Presidência

Ilton Caldeira, iG São Paulo |

No governo de Itamar Franco , em 1994, foi desenvolvido e implantado o mais bem sucedido programa de controle inflacionário do País, o Plano Real. Mas segundo antigos colaboradores, o ex-presidente foi um grande injustiçado neste caso porque se atribiu a ele um papel secundário na história durante todo o processo.

Para o ex-ministro da Fazenda, Rubens Ricupero, que lançou o real em 1º de julho de 1994, ao lado de Itamar Franco, na agência da Caixa Econômica Federal no Palácio do Planalto, em Brasília, o ex-presidente criou as bases para que o plano de estabilização fosse criado e implantado.

“Desde que assumiu o comando do País, ele, mais do que ninguém, acreditava em um projeto para estabilizar a economia”, lembra Ricupero. “Itamar escolheu Fernando Henrique Cardoso para ser seu ministro da Fazenda e ele reuniu uma equipe de qualidade para elaborar um plano coerente. Fernando Henrique tem um grande mérito, mas Itamar também teve um papel central, porque tinha um mandato e autoridade política para viabilizar a implantação do real. Infelizmente isso não é reconhecido. Essa injustiça precisa ser revista”, acrescenta o ex-ministro.

O “Plano Real” teve como base a criação de uma unidade real de valor, a chamada URV, para todos os produtos, desvinculada da moeda vigente na época, o Cruzeiro Real. Cada URV correspondia a US$ 1. Posteriormente a URV foi denominada como real, e virou a nova moeda brasileira.

“Quando assumi o ministério da Fazenda, em substituição a Fernando Henrique, o presidente Itamar me disse: ‘execute o plano com a equipe que está aí”, recorda Ricupero. “Ou seja, o real foi um projeto coletivo, com Itamar no papel central. Sem Itamar, não haveria o real, não haveria Fernando Henrique com a projeção conquistada graças ao plano econômico, não haveria a equipe que foi fundamental para desenhar o plano, não haveria nada”, declara Ricupero.

Mesmo tendo sofrido as consequências das investigações da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Congresso Nacional, entre 1993 e 1994, em virtude de denúncias de irregularidades no desenvolvimento do Orçamento da União, Itamar Franco terminou seu mandato com um grande índice de popularidade.

Prova disso foi o bem sucedido apoio a Fernando Henrique Cardoso, que havia deixado o ministério da Fazenda no fim de março de 1994 para concorrer à Presidência nas eleições de outubro daquele mesmo ano, tendo sido eleito com uma plataforma focada no Plano Real e na estabilização da economia.

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