Isolado, Serra tenta garantir controle do PSDB paulistano

Instância tem papel decisivo na condução das articulações para a disputa pela Prefeitura de São Paulo em 2012

Clarissa Oliveira e Nara Alves, iG São Paulo |

Isolado nas negociações para a escolha do novo comando nacional do PSDB, o candidato derrotado à Presidência José Serra trabalha para assegurar o controle de outra instância aparentemente menos relevante. Ao mesmo tempo em que tenta se aproximar do governador Geraldo Alckmin em resposta ao movimento de apoio ao deputado Sérgio Guerra (PSDB-PE) para a presidência nacional do partido, Serra age em sentido contrário nos bastidores, para manter um nome de sua confiança à frente do Diretório Municipal tucano em São Paulo.

Agência Estado
Serra tenta manter evidência política e opção pode ser a prefeitura de São Paulo
O plano é emplacar o deputado estadual eleito Carlos Bezerra Junior na presidência da instância. Médico ginecologista, Bezerra tem como principal bandeira o programa Mãe Paulistana, um dos motes da última campanha presidencial tucana. Alckmin, por sua vez, trabalha para eleger o secretário de Gestão do Estado, Julio Semeghini, para a vaga.

O novo presidente do diretório será eleito por filiados da legenda na convenção municipal agendada para ocorrer em abril. Hoje, quem comanda o diretório municipal é José Henrique Reis Lobo, ex-secretário da gestão Serra à frente do governo do Estado. Lobo, no entanto, já avisou que está fora da disputa.

O Diretório Municipal tucano tem papel decisivo na condução do processo eleitoral de 2012. Embora não se coloque abertamente na disputa, Serra tem deixado correr a articulação em torno do seu nome para a disputa da Prefeitura de São Paulo. Serristas avaliam que este não seria o melhor caminho para trilhar uma nova candidatura ao Palácio do Planalto em 2014, mas admitem também que esta é atualmente uma das últimas alternativas para manter Serra em evidência.

Nas últimas semanas, Serra viu encolher sua lista de opções. Além de assistir à indicação do ex-senador Tasso Jereissati para o comando do Instituto Teotônio Vilela, o ex-governador não conteve a irritação ao tomar conhecimento de uma abaixo-assinado em favor da permanência de Sérgio Guerra na presidência do PSDB. O documento foi endossado por tucanos ligados a Alckmin e ao senador mineiro Aécio Neves.

Numa estratégia para tentar reverter o isolamento, como relatou o iG , Serra passou a buscar uma aproximação com Alckmin, agindo de forma a isolar Aécio. Mesmo que Serra opte por não disputar a Prefeitura de São Paulo, o controle do partido no município facilitaria a indicação de um aliado seu para a vaga. Nesse caso, ele poderia apoiar, por exemplo, o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), seu antigo braço direito no governo paulista. Ou ainda Guilherme Afif Domingos, que embora integre o secretariado de Alckmin é representante da aliança com o DEM do prefeito Gilberto Kassab. Entre alckmistas, o nome mais citado até agora é o do secretário do Meio Ambiente, Bruno Covas. Outro postulante à vaga seria o titular da pasta de Energia, José Aníbal.

Se decidir costurar uma candidatura à prefeitura, Serra deve contar também com a ajuda do presidente da Câmara Municipal, o tucano Police Neto, no cargo há dois anos. Ele foi reconduzido pelo prefeito Gilberto Kassab, presidente do DEM paulista, que o apoiou em detrimento do candidato de seu próprio partido, Milton Leite. Antes de assumir a Câmara, Police Neto foi secretário de Serra na prefeitura municipal.

*Colaborou Ricardo Galhardo, iG São Paulo

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