Irritado com pergunta, Requião arranca gravador de jornalista

Ao ser questionado sobre aposentadoria como ex-governador, senador do Paraná tomou o aparelho. Depois, devolveu sem a gravação

iG Brasília |

Depois de defender a economia nos gastos públicos, o senador Roberto Requião (PMDB-PR) irritou-se quando questionado se abriria mão de sua aposentadoria como ex-governador do Paraná para contribuir com o corte. Ao ouvir a pergunta, o senador arrancou o gravador das mãos do repórter Victor Boyadjian, da Rádio Bandeirantes. Momentos depois, devolveu o aparelho incompleto, sem o cartão de memória em que estaria a gravação da entrevista.

Ao tomar o gravador, o senador disse que queria "dar um safanão num moleque", segundo Boyadjian. Minutos depois, no Twitter, o senador escreveu: "Acabo de ficar com o gravador de um provocador engraçadinho. Numa boa, vou deletá-lo".

Acabo de ficar com o gravador de um provocador engraçadinho. Numa boa, vou deletá-lo.

O jornalista tentou dar queixa na polícia legislativa, que alegou não ter competência para tratar do caso e orientou que o mesmo fosse encaminhado à Corregedoria da Casa. O cargo de corregedor, no entanto, está vago e o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), ainda não indicou um substituto. Ao iG, Boyadjian disse que prestará queixa contra o senador na polícia.

AE
Roberto Requião, no centro, acompanhado do senador Pedro Simon e do presidente de honra do PMDB, Paes de Andrade, em entrevista em 2010

Segundo Boyadjian, não havia outros repórteres no Plenário, onde conduzia a entrevista. A senadora Ana Amelia (PP-RS) presenciou o ocorrido. "Vou procurar saber com o senador o por quê de ele ter feito aquilo", afirmou.

O secretário de Comunicação do Senado, Fernando César Mesquita, ligou para Requião pedindo que ele devolvesse o cartão de memória do gravador. Requião se recusou a atendê-lo. Sem alternativa, restou ao comitê de imprensa do Senado entrar com representação contra o senador na Mesa Diretora. "Só na ditadura é que eu presenciei fato tão ridículo como este", afirmou o presidente do comitê, Fábio Marçal.

Ouça o áudio:

Na noite de hoje o filho do senador, Maurício, devolveu o chip sem o conteúdo, afirmou que o pai havia deixado a Casa e que não iria atender aos repórteres. "Estava ali todo o meu trabalho durante o dia", contou o repórter.

Ainda no Twitter, Requião chamou o jornalista de "engraçadinho" e se disse vítima de "bullying". "Jornalistas querem transformar entrevista em Bullyng (sic), escondidos em indulgência plenária com imprensa.Censura não, respeito sim", publicou o parlamentar.

Histórico

Esta não é a primeira vez que o senador tem problemas com perguntas de jornalistas. Durante sua administração como governador do Paraná ele fez campanha publicitária contra veículos de imprensa, xingou jornalistas e chegou a agredir um repórter em uma viagem a Centenário do Sul, no interior do Estado. Naquela ocasião, em 2004, Requião torceu o dedo de um jornalista que insistiu em uma pergunta e só parou diante do protesto de outros repórteres presentes.

As brigas do ex-governador não se restringem à imprensa. Durante a campanha eleitoral, em 2010, ele e o agora deputado federal Rubens Bueno (PPS-PR) trocaram agressões em Campo Mourão, também no interior do Paraná. Requião provocou o ex-deputado dizendo que, quando era governador, muita gente vinha recebê-lo e que agora só tinha "gentinha" no aeroporto.

Bueno, que estava no aeroporto à espera de Beto Richa (PSDB-PR), partiu para cima de Requião, e os dois trocaram socos e empurrões sendo contidos por seguranças do local. Também no ano passado, o ex-governador do Paraná se envolveu em uma briga em Pontal do Paraná, no litoral, com o então diretor comercial do porto de Paranaguá, João Batista Lopes dos Santos. Na ocasião, Requião levou dois tapas do diretor depois de fazer xingamentos a Orlando Pessuti (PMDB), seu sucessor no governo.

(Com Agência Estado)

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