Independentes tornam governo vulnerável no Senado

Perda de aliados no PR e no PMDB pode colocar em risco maioria governista e aumentar chance de derrotas em votações

Fred Raposo e Adriano Ceolin, iG Brasília |

Agência Senado
Líder do governo está preocupado com crescimento de independentes
Um grupo de senadores independentes começa a ganhar força na Casa. São 18 congressistas que, do início da legislatura para cá, deixaram a base aliada ao Palácio do Planalto e ameaçam a maioria governista. Se essa zona cinzenta de governistas for somada aos oposicionistas, o número de parlamentares que pode votar contra a presidenta Dilma Rousseff chega a 37 dos 81 senadores.

Sem o apoio dos dissidentes, o governo perde a maioria de três quintos do Senado, fração necessária para aprovar mudanças constitucionais,por exemplo. Só no PMDB, principal aliado do governo, o número de dissidentes chega a sete parlamentares: Jarbas Vasconcelos (PE), Ricardo Ferraço (ES), Roberto Requião (PR), Waldemir Moka (MS), Luiz Henrique (SC), Pedro Simon (RS) e Casildo Maldaner (SC).

“A presidenta Dilma Rousseff precisa reavaliar melhor como está fundada essa governabilidade. Não dá para ficar sempre na base troca de cargos, interesses e emendas”, disse Ferraço, um dos peemedebistas que assinaram a CPI dos Transportes. “Assinei porque o próprio ex-ministro Alfredo Nascimento disse que havia feito um pente fino na pasta. Acho que era hora de investigar”, completou Ferraço.

Além dele, outros três peemedebistas assinaram o requerimento da oposição para se instalar a CPI dos Transportes, cujo principal objetivo era investigar denúncias na pasta controlada pelo PR desde 2003. O curioso é que o próprio PR agora ameaça deixar a base aliada. Lideranças do partido ficaram irritadas com a “faxina” na pasta e no Departamento de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

Com sete senadores, a bancada está dividida sobre o assunto. O líder do partido no Senado, Magno Malta, evitou a imprensa nos últimos dias. O irmão dele, Maurício Pereira Malta, tem um cargo de assessor parlamentar no Dnit.

O presidente nacional do PR, senador Alfredo Nascimento (AM), disse a lideranças do partido que pretende anunciar hoje que as bancadas do Congresso deverão ter postura independente em relação ao governo. Ele sugere até que todos os cargos indicados pela sigla sejam entregues.

A oposição comemora o crescimento dos independentes no Senado. No entanto, espera haver resultados na prática. “Não adianta nada dizer que é independente e não tomar determinadas atitudes. Espero que os senadores do PR apoiem a criação da CPI dos Transportes”, disse o líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR).

Na primeira tentativa de apresentação do requerimento da CPI, nove senadores de partidos aliados assinaram a proposta. Além dos quatro do PMDB, assinaram três do PDT e dois do PP. Na última hora, porém, Reeditario Cassol (PP-RO) e João Durval (PDT-BA) retiraram suas assinaturas e a tentativa de CPI fracassou.

Coalizão sim, submissão não

O senador Pedro Taques (MT) pertence à bancada do PDT, partido que ocupa o Ministério do Trabalho. Ele, no entanto, declara-se independente, por isso assinou a CPI dos Transportes. “Meu partido é da coalização, mas eu não sou da submissão”, disse. “Sobre o PR, a gente precisa entender o porquê dessa independência neste momento”, completou.

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), afirmou que é ruim para a base aliada perder o apoio do PR. "Isso nos preocupa. Vamos tentar reverter. Se neste momento o PR acha melhor ficar independente, tudo bem. No futuro, pode ser que eles voltem a estar do nosso lado", disse. "Nós e o governo temos de trabalhar para que isso aconteça", completou.

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