Indefinição sobre volta de Lula à ativa preocupa PT

Setores do partido consideram fundamental ação do ex-presidente na campanha de Haddad, candidato em SP

Adriano Ceolin, iG Brasília |

Divulgação/Instituto Lula
Mesmo em tratamento, Lula é maior conselheiro de Dilma
Setores do PT estão preocupados com a indefinição sobre a volta do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva  às atividades políticas. A participação dele na candidatura de Fernando Haddad (PT) à Prefeitura de São Paulo é considerada fundamental. Além disso, a avaliação é que Lula poderia ajudar a resolver a crise da base aliada com a presidenta Dilma Rousseff .

Segundo iG apurou com pessoas próximas a Lula em São Bernardo do Campo (SP), há a informação de que ele poderia retomar as atividades políticas apenas em julho, ou seja, durante o processo de formalização da candidaturas pela Justiça Eleitoral por meio das convenções. O PT de São Paulo trabalha com um prazo mais curto: maio, quando Lula já poderia subir em palanques.

Internado por conta de uma pneumonia , Lula tem evitado receber visitas e os médicos determinaram que ele fale o mínimo possível. A doença é decorrente da baixa imunidade provocada pelo tratamento de um tumor na laringe identificado em outubro . A boa notícia, porém, é que o câncer estaria praticamente curado.

O problema é que os petistas estão ansiosos para poder contar com ele. Divulgada há uma semana, a última pesquisa da Datafolha mostrou Haddad com apenas 3% das intenções de voto contra 30% de José Serra (PSDB) . O levantamento indicou ainda que Lula pode mudar o jogo, já que 40% dos entrevistados afirmaram que vão votar no candidato apoiado por ele.

Além da disputa em São Paulo, petistas acreditam que Lula pode auxiliar a presidenta Dilma Rousseff na pacificação da base aliada no Congresso. Na quarta-feira, ela sofreu sua primeira derrota no Senado, que rejeitou por 36 votos 31 a recondução de Bernardo Figueiredo para diretoria da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Maior bancada no Senado, o PMDB foi considerado o principal responsável pela derrota. Para os peemedebistas, a relação com Lula era melhor do que com Dilma. Na verdade, ao longo do atual governo, a articulação política funcionou pouco. Tanto a atual ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) quanto o seu antecessor, Luiz Sérgio, sempre foram criticados pela base aliada.

Para não melindrar Dilma, petistas lamentam a ausência de Lula somente nos bastidores. Outros não querem comentar o assunto de jeito de nenhum. “Sobre esse assunto (a participação de Lula) eu não falo nem em “off””, comenta o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), usando o jargão jornalístico para declarações sem identificação.

Líder do PT na Câmara até começo deste ano, o deputado federal Paulo Teixeira (SP) está otimista. “Lula vai voltar e nós vamos ganhar as eleições em São Paulo”, afirma. Ele é cotado para participar da coordenação da campanha de Haddad. Contudo, negou que vá atuar como um dos tesoureiros. “Não fui sequer sondado”, diz.

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