Hillary vem à posse para buscar diálogo mais amigável com Brasil

Temas de interesse dos EUA com o país formam uma lista extensa, com poucos avanços e alguns conflitos nos últimos meses

Danilo Fariello, iG Brasília |

AFP
Hillary encontra Lula e Dilma em Brasília em março
A secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, interrompe suas férias e volta hoje ao Brasil para a posse da presidenta Dilma Rousseff com uma lista extensa de temas a serem tratados. Sua visita-relâmpago - ela deve ficar apenas algumas horas no Brasil -, porém, deverá servir só para estreitar o canal de diálogo e mostrar vontade dos EUA em criar um clima mais amistoso, segundo interpretação do Itamaraty.

Na carta oficial que comunica a chegada de Hillary, o governo dos EUA diz estar empenhado "em aprofundar as nossas relações em uma ampla gama de assuntos bilaterais, regionais e globais com o governo e o povo do Brasil". O texto afirma que o Brasil é "parceiro essencial no continente e no mundo".

Em março, Hillary esteve no Brasil para tratar de temas que tiveram poucos avanços significativos. De lá pra cá, algumas declarações por parte de cá indicaram que o clima ficou menos amigável. Nesta semana, Lula afirmou estar feliz com a situação econômica dos EUA, enquanto deixa o Brasil em boa situação.

O legado de Lula: As conquistas e os desafios herdados por Dilma Rousseff.

Os EUA ainda esperavam que Dilma fizesse uma visita a Obama antes de tomar posse, como se tornou praxe no governo brasileiro, que foi acompanhada até por Luiz Inácio Lula da Silva em 2002. Dilma, porém, comprometeu-se a visitar os EUA em breve.

Da lista de assuntos da visita anterior de Hillary, o debate sobre o clima resultou em um avanço bastante comedido no resultado da Cop-16, no mês passado, no México. Para os EUA, porém, o Brasil ainda é país fundamentla para diálogos sobre o clima e temas correlatos, como biocombustíveis.

Outro tema que ainda gera controvérias é a situação no Oriente Médio. Lula manteve relações mais próximas com o Irã do que os EUA gostariam. Dilma, na única entrevista exclusiva que ofereceu depois de eleita, afirmou ao Washington Post que discordava do Irã no apedrejamento de uma mulher condenada por adultério. A sinalização foi positiva para as relações com os EUA, mas Dilma ainda não se manifestou a respeito da política nuclear do Irã, maior ponto de confronto entre os países.

Nos últimos meses, o ministro da Fazenda, Guido Mantega - que permanecerá no cargo - foi bastante ríspido ao criticar a medida dos EUA anticrise que inundou o mercado americado de dólares e prejudicou a situação comercial dos países emergentes. O Brasil considerou retaliar os EUA, mas decidiu tomar medidas mais pontuais de proteção, sem iniciar uma disputa comercial.

Alguns telegramas divulgados recentemente pelo Wikileaks também serviram para azedar as relações entre o governo Lula e o de Barack Obama. Um deles citava o ministro da Defesa, Nelson Jobim, que teria dito que o ministro Samuel Pinheiro Guimarães, da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) tinha ódio dos EUA. O vazamento despertou negativas e reparações de ambos os lados

Outro telegrama vazado pelo Wikileaks acusou que o Brasil reclamara de manobras próximas à fronteira a partir da Colômbia, com participação das forças armadas americanas. O tema também é espinhoso entre os países e não houve nenhuma negativa das partes.

Hillary deverá estar próxima ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, inimigo delcarado dos EUA. E ela não encontrará na posse o presidente de Honduras, Porfirio Lobo. Lobo não é reconhecido como chefe de Estado do país pelo Brasil, diferentemente dos EUA, que consideraram a eleição no país este ano como "democrática".

Quem sabe um dia


Em março, Hillary já esteve no país como secretária de Estado e encontrou a então pré-cantidadata do PT para a Presidência. Na ocasião, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou Dilma para o momento da foto oficial e solicitou que ela cumprimentasse a secretária de Estado dos EUA. Numa brincadeira, disse: "sabe lá, quem sabe um dia", referindo-se à possibilidade de Dilma ser eleita presidenta, assim como Hillary, que fora pré-candidadata nos EUA (foto acima) .

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