Pai da nova ministra da Secretaria de Comunicação Social, Carlos Chagas afirma que função primordial do posto é "dar notícia"

Ao tomar posse como ministra da Secretaria de Comunicação Social, a jornalista Helena Chagas ocupará a partir deste domingo um posto que já foi do seu pai, o também jornalista Carlos Chagas. No entanto, cada um chegou ao cargo em situações muito diferentes. Enquanto ele foi auxiliar de um presidente que tentava retomar a democracia em meio à ditadura militar, ela assume no momento em que País acaba de ratificar seus valores democráticos com a chegada da primeira mulher à Presidência da República.

Carlos Chagas, Helena Chagas e a mãe dela
Ichiro Guerra
Carlos Chagas, Helena Chagas e a mãe dela
Helena, que ainda atua como comentarista e colunista, prefere não dar conselhos à filha, que foi assessora de Dilma Rousseff na campanha. “Mas se me fosse pedido um conselho eu diria apenas o seguinte: a função primordial de um porta-voz, de um assessor de imprensa, de um ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social é dar notícia. Só essas duas palavras: dar notícia. Prover os meios de comunicação de informação. Pouca importando se ele vão aceitar ou contraditar, se eles vão ridicularizar. Nossa função é dar informação”, disse ao iG .

Chagas foi secretário de imprensa do presidente Costa e Silva (1899-1969), o segundo general da ditadura militar (1964-1985). “Quando o presidente me chamou para uma conversa no Palácio das Laranjeiras eu pensava que era para ser uma entrevista.”, disse Chagas. O jornalista conta que o presidente havia deixado de falar com a imprensa após a decretação do Ato Institucional número 5 em em dezembro de 1968 _que fechou o Congresso e instaurou a censura. “Quando vi que estava lá sozinho acendeu a luz amarela. Pensei que seria preso”.

Era maio de 1969. Na verdade, o então jornalista de “O Globo” acabou recebendo o convite para se tornar porta-voz do presidente. Costa e Silva contou a Chagas que ele seria responsável por dar uma série de notícias que retomariam a democracia do País. “Ele me disse que faria esse anúncios aos poucos”, disse Chagas. Entre as notícias, a mais importante seria acabar com o AI-5 e convocar uma comissão de juristas para elaborar um anteprojeto de uma nova Constituição.Ou seja, Costa e Silva queria recolocar o Brasil na estrada da democracia.

A data escolhida foi 7 de setembro de 1969. No entanto, uma semana antes Costa e Silva sofreu uma acidente vascular celebral, que deixou-o sem fala e sem movimentos. Acabou morrendo sem conseguir cumprir sua promessa de reabrir o Congresso. Após deixar o governo, Chagas voltou para a redação de “O Globo” e relatou em uma série com 20 reportagens sobre o que havia ocorrido no governo durante aquele período. Pelo trabalho, acabou recebendo o prêmio Esso de jornalismo em 1970.

nullEm Brasília, Carlos Chagas tornou-se diretor da Sucursal de “O Estado de S.Paulo”. Na sua posse neste domingo, Helena Chagas disse em seu discurso que conheceu a poesia de Luís de Camões pelo jornal. Durante a ditadura, a publicação substituía notícias censuradas pelos poemas da obra “Os Lusíadas”. Em seguida, ressaltou: “Abrir mão da liberdade de imprensa é impensável também para a minha geração, que é aquela que cresceu durante o regime militar”.

Sobre o fato de ocupar o lugar que um dia foi do pai, Helena disse em entrevista que se tratava de uma “grande emoção”. “É uma coisa rara que a vida oferece. Claro. Cada um a seu tempo, cada uma na sua cirscuntância e eu vou procurar honrar o nome do meu pai”, afirmou. Helena substitui o jornalista Franklin Martins, que remodelou a Comunicação do governo a partir de 2007. Entre seus principais projetos, estão a criação da TV pública batizada de Empresa Brasileira de Comunicação (EBC) e a regionalização da publicidade estatal.

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