Objetivo é acomodar grupos pró e contra aliança com PSD; Berzoini deve ocupar coordenação geral ao lado de Donato

A dificuldade para definir os nomes da coordenação da campanha do pré-candidato petista à prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, revela que as divergências internas causadas pela desastrada tentativa de aliança com o PSD do prefeito Gilberto Kassab ainda não foram totalmente superadas pelo PT.

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Em reunião realizada há cerca de 10 dias, Haddad e as diferentes correntes do PT teriam firmado um acordo para que as principais funções sejam divididas entre duas pessoas. Uma indicada pela direção municipal, outra pelas correntes internas com expressão nacional.

O ex-ministro e pré-candidato à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, durante evento em SP
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O ex-ministro e pré-candidato à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, durante evento em SP

Na prática, a fórmula serve para duplicar os postos de comando e acomodar dois grupos. De um lado as lideranças que defenderam a aproximação com o PSD, na maior parte nomes de expressão nacional ou estadual que perderam espaço depois da decisão de Kassab de apoiar José Serra (PSDB).

De outro as lideranças municipais que, desde o início, foram contra a aliança com o prefeito e agora, com o desfecho negativo da manobra, ganharam moral com Haddad.

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A coordenação geral seria dividida entre o deputado Ricardo Berzoini, da Corrente Construindo um Novo Brasil --que tem maioria nacional e apoiou em peso a aproximação com Kassab-- e o presidente municipal, vereador Antonio Donato –da corrente Novos Rumos, que tem maioria municipal e foi contra a aliança com o PSD.

O programa de governo ficaria a cargo do deputado Vicente Candido e do deputado estadual Enio Tatto. A agenda ficaria por conta do deputado estadual Simão Pedro (Mensagem) e do dirigente municipal Décio Pereira. Para a comunicação foram escalados os vereadores José Américo e Chico Macena. O também vereador Alfredinho dividiria a tesouraria com um nome nacional ainda não definido.

A coordenação geral de campanha compartilhada não é uma novidade no PT. Na disputa de 2000, que elegeu Marta Suplicy, a função foi dividida entre Berzoini (então presidente municipal) e Rui Falcão (o preferido de Marta).

Pró-kassabistas

No entanto, setores que defenderam a aliança com Kassab tentam emplacar uma nova fórmula, pela qual Donato seria escanteado para a presidência do conselho político da campanha, deixando Berzoini sozinho no comando geral.

A própria escolha de Berzoini é uma necessidade imposta pelo fracasso das negociações com Kassab. O primeiro nome era o de Vicente Candido. Ele foi descartado por ter sido um dos líderes do movimento pró-PSD. Em seu lugar entrou Berzoini, que manteve distância prudente da discussão sobre Kassab e é considerado um conciliador no partido.

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A decisão final ficará por conta de Haddad mas passará pelo aval de Lula. A ideia inicial era que os dois batessem o martelo na última terça-feira. A internação de Lula por conta de uma pneumonia decorrente do tratamento contra o câncer adiou os planos. Ontem Haddad disse que vai decidir na próxima semana. Enquanto isso, os ânimos se acirram no partido. A disputa por funções na coordenação de campanha é considerada uma espécie de prévia da divisão de poder em um eventual governo petista.

Apesar da ansiedade, os dois lados negam que exista uma disputa deflagrada.

“Não há disputa. O que existe é um processo de composição normal dentro do PT”, disse Francisco Rocha, o Rochinha, coordenador nacional da CNB.

“Berzoini é bem vindo na função que ele tiver. Comigo não existe o menor problema”, afirmou Donato.

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