Em entrevista em vídeo ao iG, o ministro da Educação assume candidatura à prefeitura de SP, defende prévias no PT e diz que não é invenção de Lula

O ministro da Educação, Fernando Haddad, está acostumado a comprar grandes brigas. Há dois anos, quando quase todos os especialistas diziam ser impossível transformar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no substituto do vestibular, ele negociou com os reitores das universidades federais, pressionou instituições da área para entregar o projeto no prazo e o que nasceu aos trancos e barrancos se tornou agora uma realidade irreversível. Bacharel em Direito e mestre em Economia, o ministro navega agora na política contra o raciocínio comum. Depois de seis anos num cargo executivo, ele quer ser testado nas urnas.

E, se a hierarquia natural da política oferece 30% das intenções de votos à ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy , ele se apresenta ao PT como um concorrente dela para a eleição do ano que vem. Haddad quer assumir a maior cidade do País e para isso pretende também contrariar a atual lógica nacional dos partidos, que deseja alinhar o PT com o PSD do atual prefeito Gilberto Kassab, na disputa de 2012.

O senso comum diz que ele faz isso por ser uma invenção de Lula, e Haddad responde que sua criação é obra dos pais, “dona Norma e seu Calil”. Se os analistas políticos afirmam que ele só continua no governo federal porque o ex-presidente o deixou no cargo, o ministro da Educação explica que despacha mais com a atual presidenta Dilma Rousseff do que fazia com Lula.

Dono de um raciocínio que faz jus ao título de doutor em filosofia, Haddad é tão cordial nas conversas que muitas vezes suas audiências terminam com pedidos de fotos – quase sempre quando os visitantes são do sexo feminino. A eloquência, no entanto, costuma encobrir outro traço de sua personalidade, a firmeza de convicções e as ideias desafiadoras. Os amigos dão a essas características o nome de ousadia. Os inimigos chamam de arrogância. Nessa entrevista ao iG , você pode tirar suas conclusões clicando nos 12 temas que ele abordou na sexta-feira, 2 de setembro, na sala de reuniões do gabinete do ministro da Educação.

Provincianismo

Há oito anos na pasta de Educação no governo federal – seis deles como ministro –, Haddad acredita que essa experiência, associada à sua participação como chefe de gabinete da Secretaria de Finanças na gestão de Marta em São Paulo, o credencia a fazer uma administração inovadora e alinhada com o governo federal na capital paulistana.

“Os problemas de São Paulo são muito agudos para serem resolvidos de maneira provinciana”, afirma Fernando Haddad, ao defender uma visão ampla e estratégica para fazer com que a “cidade deixe de perder oportunidades”.

Para se tornar o candidato à prefeitura pelo PT, o ministro da Educação terá que vencer desafios antes da eleição. Com apenas 2% das intenções de voto na pesquisa do Datafolha divulgada nesta segunda-feira, dia 5, em que a também pré-candidata Marta lidera em todos os cenários, Haddad está disposto a enfrentar prévias no PT e diz não contar com a desistência de nenhum dos quatro pré-candidatos (Carlos Zarattini e Jilmar Tatto também estão na disputa) para fortalecer seu nome. “Eu penso que haverá (prévias), porque dificilmente os quatro abrirão mão até novembro”, conta.

Nome preferido de Lula para a disputa, mas por  muitas vezes citado como um ministro que deixaria o governo Dilma, Haddad diz que tem respaldo da presidenta e valoriza o seu perfil acadêmico em relação ao dos militantes de carteirinha, de quem precisará do apoio no partido para se tornar candidato. Segundo o ministro, não é o único técnico e secretário de governo que foi alçado à condição de ministro por Lula e cita outros nomes como Alexandre Padilha (Saúde) e Orlando Silva (Esporte) para comprovar a tese. Haddad era secretário do ex-ministro Tarso Genro.

Oposição em São Paulo

Se for escolhido candidato, diz que seguirá decisão do PT e será oposição ao atual prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, que vem se aproximando do governo Dilma com seu novo partido, o PSD. Essa posição, no entanto, também será marcada por uma nova visão, na ótica de Haddad. Diferentemente de outras disputas eleitorais focadas em questões locais em São Paulo, o ministro pretende mostrar que tem uma postura estratégica diferente do conjunto da administração, mas considera que projetos importantes precisam ser mantidos.

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