Haddad age para se aproximar de eleitorado tradicional de Marta

Enquanto senadora resiste em se engajar na campanha, ex-ministro monta estratégia semelhante à adotada por ela em 2008

Clarissa Oliveira e Thais Arbex, iG São Paulo |

À espera de um engajamento da senadora Marta Suplicy (PT-SP) na campanha em São Paulo, o PT decidiu colocar em prática um plano para aproximar seu pré-candidato à prefeitura paulistana, Fernando Haddad, do eleitorado tradicional da ex-prefeita. Preocupado com o grau de desconhecimento do ex-ministro na cidade, o conselho encarregado de comandar a pré-campanha petista quer que ele comece a buscar desde já exposição junto aos eleitores simpáticos ao PT na periferia paulistana.

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A estratégia, traçada no fim de janeiro, começa a ser aplicada nesta sexta-feira. Para a largada, Haddad planeja uma visita ao bairro de M'Boi Mirim, na zona sul da cidade . Nas próximas semanas, ele deve passar ainda por regiões como Brasilândia e Ermelino Matarazzo.

O plano lembra o adotado pela própria Marta na campanha municipal de 2008. Assim como Haddad, a ex-prefeita se antecipou ao calendário eleitoral e foi às ruas antes do prazo previsto por lei para a largada oficial da campanha. Na época, Marta chegava a andar pelas ruas de São Paulo com um mapa do metrô em mãos, pedindo aos eleitores sua opinião sobre qual deveria ser o traçado dos trens que cortam a cidade. Também andava de ônibus e distribuía cumprimentos. "Eu não estou em campanha, não pedi voto", costumava repetir Marta, quando questionada sobre a antecipação.

AE
Preterida na disputa interna pela candidatura em SP, Marta resiste em participar ativamente da campanha de Haddad

O Tribunal Superior Eleitoral autoriza a propaganda partidária somente a partir do início de julho, o que caracteriza o começo oficial da campanha eleitoral. Na prática, entretanto, a regra não impede o pré-candidato de circular entre eleitores e mesmo de fazer corpo a corpo, desde que não peça votos.

Quando começou a cumprir agenda na periferia de São Paulo, em junho de 2008, Marta trabalhava para retomar o contato com seu eleitorado tradicional, depois de sua passagem pelo Ministério do Turismo. Haddad, segundo aliados, precisou dar início aos trabalhos mais cedo, pois terá de construir do zero essa relação. "No caso da Marta, a ideia era retomar essa relação. No caso do Haddad, precisamos colocá-lo diretamente em contato com essa base petista. A estratégia não é igual, mas é parecida", reconhece o deputado Carlos Zarattini, que coordenou a campanha de Marta à prefeitura em 2008.

Para um integrante do conselho político da pré-campanha, a ideia de antecipar a agenda de rua é indispensável para o ex-ministro. “Estamos falando de um candidato que ainda é muito desconhecido do eleitor. Ele não tem outra saída a não ser começar a trabalhar logo. Foi para isso que ele deixou o ministério”, afirma o aliado.

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Marta, até agora, mantém distância da campanha de Haddad
. Preterida na disputa interna pela pré-candidatura em São Paulo, a senadora abriu mão de brigar pela vaga atendendo a um pedido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidenta Dilma Rousseff . A relação com o partido ficou ainda mais tensa diante das negociações entre o partido e o PSD de Gilberto Kassab , adversário da ex-prefeita na campanha de 2008.

Calendário

Segundo o plano traçado pelo time encarregado da pré-campanha petista, as visitas de Haddad à periferia paulistana ocorrerão sempre às segundas e sextas-feiras.

O ex-ministro vai reservar as terças, quartas e quintas-feiras para estudar os problemas da cidade, receber a imprensa e participar de eventos em sindicatos e outras entidades. Aos sábados e domingos, ele terá encontros com líderes partidários. As visitas ocorrerão até maio. A mobilização terá início pela periferia e deve seguir pelos principais bairros da capital, rumo ao centro da cidade.

"Estamos cumprindo o cronograma do partido. Isso é um reflexo de uma vontade do próprio Haddad de fazer contato com a população de São Paulo", afirma o deputado estadual Simão Pedro, encarregado de cuidar da agenda do ex-ministro durante a pré-campanha.

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