Haddad acusa adversários de difundir intolerância

Dirigentes do PT temem que temas como aborto e união homossexual sejam usados para manipular fiéis

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

O pré-candidato a prefeito de São Paulo pelo PT, Fernando Haddad, disse na manhã deste sábado que seus adversários tentam espalhar uma campanha de intolerância entre a população.

Na quarta-feira algumas dezenas de militantes católicos liderados pelo bispo emérito de Guarulhos, dom Luiz Bergonzini, fizeram um ato contra o aborto na Praça da Sé no qual orientavam os fiéis a votarem contra Haddad. O ex-ministro da Educação é alvo de ataques de grupos conservadores por ter distribuído (e depois recolhido) o kit-anti-homofobia nas escolas.

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AE
Haddad é recepcionado pelo presidente nacional do PT, Rui Falcão
“São Paulo precisa de um projeto mais generoso e menos intolerante do que este que está sendo gestado até aqui. Nossos adversários estão fomentando a intolerância para fazer brotar os piores sentimentos que não são próprios do povo brasileiro”, disse Haddad na abertura do encontro nacional de setoriais do PT, que reuniu mais de dois mil militantes do partido na quadra do Sindicato dos Bancários, na região central.

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A intensificação da guerra religiosa ocorrida na reta final do primeiro turno da campanha presidencial, em 2010, é motivo de preocupação no PT. Dirigentes do partido temem que temas como aborto e união entre pessoas do mesmo sexo sejam usados para manipular eleitoralmente fiéis cristãos.

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No final do ano passado o pré-candidato do PMDB, Gabriel Chalita, e o presidente estadual do PT, Edinho Silva, tiveram programas cancelados pela rede católica Canção Nova em função de pressões de grupos contrários ao PT e ao governo Dilma Rousseff. Líder do protesto na praça da Sé, o bispo Bergonzini foi um dos signatário de um documento de parte da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) que defendia o boicote a Dilma em 2010.

Kit anti-homofobia

Além de ser do PT e ter feito parte dos governos Lula e Dilma, Haddad é alvo de ataques por conta do kit anti-homofobia . Depois de forte reações de setores católicos e evangélicos, a presidenta Dilma Roussef determinou a suspensão da elaboração dos kits . Desde o início da pré-campanha ele tem dito que os kits foram recolhidos porque o público alvo eram professores e não os alunos da rede pública.

Apesar de ter cedido às pressões dos grupos conservadores, o PT diz que vai manter a defesa de propostas como a criminalização da homofobia e a ampliação do direito ao aborto (aprovada em documento oficial do partido em 2006).

“Não vamos enrolar nossas bandeiras por causa de uma campanha fundamentalista”, disse o presidente nacional do PT, Rui Falcão.

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