“Há impedimentos legais para assumir Transportes”, conclui Blairo

Senador conversou com integrantes da direção da empresa da qual é proprietário, mas ainda não comunicou o Planalto sobre avaliação

Adriano Ceolin e Severino Motta, iG Brasília |

Após reunir-se com diretores da empresa da qual é dono, o senador Blairo Maggi (PR-MT) concluiu hoje que “há impedimentos legais para assumir o Ministério dos Transportes”. A conversa foi relatada ao iG por uma pessoa que conversou com o senador no fim da manhã. Blairo, porém, ainda não falou com o Palácio do Planalto sobre o assunto. O senador está em Rondonópolis (MT).

O PR ainda insiste para o senador aceitar o convite.  Dono da pasta desde 2003, o partido quer evitar que o secretário-executivo da pasta, Paulo Sérgio Passos, deixe de ser ministro interino e se torne o titular. Ele conta com o apoio da presidenta Dilma Rousseff, mas enfrenta resistência no PR, apesar de ser filiado ao partido. Além de Blairo, os líderes do partido Magno Malta (Senado) e Lincoln Portella (MG) participam das negociações.

Blairo foi convidado para assumir a pasta dos Transportes na quarta-feira à noite, horas após a demissão de Alfredo Nascimento em meio a denúncias de corrupção envolvendo auxiliares diretos. De imediato, o senador mato-grossense recusou o convite durante conversa com o ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria Geral da Presidência da República.

Carvalho, porém, pediu que ele refletisse sobre o assunto. Segundo disse um palaciano, o ministro não entedeu a declaração de Blairo como uma recusa irrevogável. No começo de 2010, quando ainda era governador do Mato Grosso, Blairo Maggi, chegou a anunciar que permaneceria no mandato até o fim do ano e não seria candidato ao Senado. Ele, porém, mudou de ideia depois e acabou eleito.

Ao saberem do convite, lideranças do PR pediram que Blairo avaliasse com cuidado a proposta. Adiantando que sua tendência seria recusar, ele afirmou que consultaria familiares e diretores do Grupo André Maggi, do qual é o proprietário.

Entre hoje e ontem à noite, Blairo reuniu-se com membros da direção do grupo, como o presidente Pedro Jacyr Bongiolo, e familiares, como as irmãs e a esposa. Todos concluíram que a decisão de ir para o ministério dos Transportes causaria “implicações legais” e constrangimento para o grupo.

“Não quero prejudicar nem a empresa, nem minha família, nem o governo”, disse Blairo, segundo uma pessoa que conversou com ele hoje. “Há conflito de interesses e impedimento legal”, completou, ainda de acordo com esse interlocutor.

Para citar apenas um exemplo, o grupo A.Maggi tem projeto na área de transportes financiado com recursos do Banco Nacional Desenvolvimento Econômico (BNDES) e que precisa contar com o aval do ministério dos Transportes.

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