Grandes desafios para Dilma no governo ainda estão por vir

Base aliada do Congresso promete endurecer por falta de nomeações em votações que podem contrariar vontades do Planalto

Adriano Ceolin e Danilo Fariello, iG Brasília |

Passados 200 dias de governo, os principais desafios que Dilma Rousseff tem pela frente passam pelo Congresso Nacional. As relações com a sua base aliada não foram das mais harmônicas no começo de seu mandato de presidenta e podem piorar muito ainda, principalmente pelo atraso nas nomeações.

Agência Brasil
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Desde o primeiro dia de governo, o PMDB cobra cargos em segundo escalão. Os pedidos foram atendidos a conta gotas. As nomeações de Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), na vice-presidência de Pessoa Jurídica da Caixa, e Orlando Pesutti (PMDB-PR), no Conselho de Administração do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES), servem de exemplos.

Ainda nos primeiros 100 dias de governo, o PMDB deu uma importante demonstração de apoio ao governo ao aprovar o salário mínimo de R$ 545. Na sequência, já dentro dos 200 dias, o mesmo PMDB ajudou a causar a principal derrota do governo no Congresso ao votar a favor do texto menos ambientalista do novo Código Florestal.

Publicamente, porém, a imagem que se tenta passar é do bolo em que Dilma e o vice-presidente da República Michel Temer (PMDB) aparecem como noivos . Contudo, nos bastidores, a lista de descontentes só aumenta. Até agora, a única vantagem de Dilma é que em quase todos os partidos existem grupos se digladiando por espaços de poder.

Só isso impediu uma ação mais articulada da base. No segundo semestre, porém, todos vão ter de votar projetos que têm apelo popular e ninguém vai querer dar a cara a tapa de graça. “Vamos avaliar como serão os próximos 15 dias. Principalmente no PMDB, há esperança que finalmente todos pedidos sejam atendidos”, avaliou um senador governista.

Pauta da Câmara é explosiva

Na Câmara, o presidente Marco Maia (PT-RS) já anunciou que colocará em votação a emenda 29 , que regulamenta as despesas de saúde. O Ministério da Fazenda é contra, pois a proposta amarra o Orçamento e faz com que o governo perca autonomia sobre os gastos e contingenciamentos.

Outra iniciativa que deve ser colocada em votação é a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) de número de 300, que estabelece um piso salarial nacional para policiais militares e bombeiros e já foi votada no Senado em dezembro de 2009. As categorias já agendaram uma série de manifestações para forçar a apreciação da PEC na Câmara.

Bondades e maldades na agenda econômica

Dilma caminha para os próximos meses também em busca de um grande marco para seu governo. O lançamento do plano Brasil sem Miséria , por exemplo, foi ofuscado pela crise que derrubou Antonio Palocci, e agora o programa custa a emplacar mesmo do ponto de vista gerancial.

No dia 2, Dilma lançará outro plano com apelo de marketing, o Brasil Maior , com uma série de incentivos para os exportadores brasileiros, que têm sofrido com o real mais valorizado. O governo quer usar esse programa também para responder à sociedade e os sindicatos que criticam a desindustrialização do País, com o fechamento de fábricas aqui que não conseguem competir com as chinesas.

Além das marcas, Dilma também deverá avançar nos próximos meses para conquistar apoio dos Estados e municípios, principalmente por reformas tributárias, como a distribuição dos royalties do petróleo e da mineração e revisões sobre a incidência do ICMS que incluem compensação integral para Estados que perderem arrecadação

Se esse "pacote de bondades" funcionar e a inflação recuar, o terreno fica armado para, talvez ainda no fim de 2011 ou começo de 2012, o Ministério da Fazenda colocar em pauta os primeiros temas de uma profunda reforma. O alvo dessa reforma seria, principalmente, a desindexação da economia.

O problema é que ela passa por pontos polêmicos, como o fim do reajuste automático dos aluguéis pela inflação ou uma revisão do cálculo para reajuste da poupança e do FGTS. Os fins seriam benéficos para o controle da inflação, mas essas reformas podem implicar uma transição pouco popular e bastante criticada.

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