Governo vence no Congresso, mas base aliada está insatisfeita

Embora tenha acumulado vitórias importantes nos primeiros meses da administração, presidenta agora recebe a fatura pelo apoio

Adriano Ceolin, iG Brasília |

Com maioria folgada, a presidenta Dilma Rousseff conseguiu vitórias importantes no Congresso nestes primeiros meses de governo. Como ponto alto, aprovou o aumento do salário mínimo no valor de R$ 545. Porém, passou a ser cobrada por deputados e senadores da base aliada, que querem cargos e liberação de emendas.

Agência Brasil
Por enquanto, cortes e controle inflacionário têm servido de argumento para recusar demandas da base
Por ora, Dilma tem dito não sob o argumento de que o governo precisa evitar gastos para manter o equilíbrio das contas e conter o aumento da inflação. O resultado é o corte das emendas parlamentares. Um total de R$ 11 bilhões, que deputados e senadores já davam como certo para ser repassados a prefeituras comandadas por aliados regionais.

 “O Congresso deu grandes contribuições para o governo. A votação do salário mínimo e a política estabelecida para aumentos futuros foram uma grande vitória”, disse o vice-líder do governo, José Nobre Guimarães (PT-CE). “Agora, em relação às emendas, acredito que vamos encontrar uma solução depois do dia 15 deste mês”, completou.

Como forma também de evitar gastos, Dilma segurou as nomeações de segundo, terceiro e quarto escalões. Os nomes de presidências de bancos e empresas estatais têm saído a conta-gotas. É por isso que a estratégia dos partidos aliados foi, na medida do possível, preservar os cargos que já detinham no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva .

Mas não deu certo. O PMDB da Câmara, por exemplo, sofreu uma importante derrota ao ficar sem a presidência das Furnas Centrais Elétricas. Indicado pelo deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), Carlos Nadalutti acabou substituído por Flávio Decat. Ministro de Minas e Energia, Edison Lobão foi obrigado a assumir a indicação apesar de o nome ter sido imposto por Dilma.

Salário mínimo

Apesar da derrota no caso de Furnas, a bancada da Câmara demonstrou força ao apoiar com 100% dos votos a aprovação do salário mínimo de R$ 545. Na oportunidade, o líder do governo, Cândido Vaccareza (PT-SP), reconheceu: “O PMDB sai fortalecido e tem o reconhecimento do governo".

Contudo, quase que imediatamente, peemedebistas começaram a fazer a cobrança da fatura. Ou seja, cargos de segundo escalão. Até o começo desta semana, havia ainda muita insatisfação. No entanto, peemedebistas já falavam num prazo maior para dar o troco. “Se até julho não saírem os cargos, vamos dar a resposta no Congresso”, afirmou um peemedebista.

Dilma sabe dos problemas que pode ter no futuro. Durante viagem a Portugal no último dia 30, numa conversa reservada com o presidente português, Aníbal Cavaco Silva, a presidenta disse ser obrigada a negociar as votações "caso a caso" com os parlamentares aliados. "Tem maioria na Câmara e no Senado, mas a cada votação sempre é necessário fazer uma avaliação", disse.

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