Governo tenta acertar votação do pré-sal até junho

Senadores da própria base consideram que não haverá alternativa ao governo senão acertar um calendário com a oposição

Agência Brasil |

Senadores da própria base consideram que não haverá alternativa ao governo senão acertar um calendário com a oposição para votar os projetos de lei do pré-sal até o fim de junho. As conversas entre o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), e os líderes do DEM e PSDB, José Agripino Maia (DEM-RN) e Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM), começaram na semana passada e haverá uma nova rodada esta semana, provavelmente amanhã (11).

O líder do PSB, Antonio Carlos Valadares (SE), afirmou que pelo número de senadores da base presentes nas votações da semana passada “não há disposição” de todos em comparecer em grande número como pediu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na última reunião com os partidos que lhe dão apoio. “O governo vai ter que retirar a urgência [dos projetos do pré-sal] por falta de comparecimento maciço. Parece que a reunião com o presidente não deu o resultado esperado”, afirmou.

Valadares lembrou que, na ocasião, o próprio presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), chegou a alertar Lula da dificuldade de se tentar reunir a maioria da base governista para aprovar as matérias do pré-sal. Sarney, de acordo com o líder do PSB, teria manifestado “toda disposição” de abrir a sessão deliberativa às 16 horas, mas destacou que isso pouco adiantaria sem o comparecimento da maioria governista.

O presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), é outro que defende o acordo com a oposição. “O governo correrá um risco muito grande se quiser impor maioria. O Jucá está certo em tentar um acordo”, afirmou o peemedebista. Para ele, o melhor seria acertar o calendário de votação das matérias até o fim de junho, o que daria tempo para fazer os debates e votá-las em plenário.

Entre os peemedebistas a opinião é praticamente a mesma. Para eles, a retirada da urgência criaria a condição necessária para que o Senado votasse rapidamente as medidas provisórias que já obstruem a pauta, bem como as sete que estão para chegar da Câmara.

O petista Delcídio Amaral (MS), que ainda está em Campo Grande e só conversará com o líder do governo amanhã, pondera que, com o número de medidas provisórias que a Casa terá que votar não será fácil apreciar as matérias do pré-sal dentro do calendário pretendido pelo Executivo. Ele acrescentou que, com um calendário definido, o governo teria tempo suficiente para mobilizar a base.

Enquanto não há uma conclusão nas conversas sobre um eventual calendário de votação do pré-sal, a ordem, na oposição, é de não votar nada esta semana. “Está tudo parado, não se vota nada. Se eles [governistas] quiserem votar que botem maioria em plenário e votem”, afirmou o líder do DEM, José Agripino Maia.

O democrata acrescentou que a desobstrução da pauta pressupõe a retirada da urgência dos projetos do pré-sal. José Agripino ressaltou que a expectativa é que esta semana seja tomada pelas negociações sobre a elaboração do calendário.

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