Governo teme perder controle de CPI da Cachoeira

Planalto não entra em acordo com setores da base e avalia riscos de investigação sobre escândalo de bicheiro

Adriano Ceolin, iG Brasília |

AE
A ministra Ideli Salvatti, das Relações Institucionais
Acendeu a luz amarela no Palácio do Planalto sobre a formação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigará o escândalo Carlinhos Cachoeira. O governo tenta manter o mínimo de controle sobre os trabalhos, mas até agora não há acordo sobre a escolha do presidente e do relator da comissão.

Responsável pela articulação política do governo, a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) pode ter de engolir um desafeto na relatoria dos trabalhos: os deputados Cândido Vaccarezza (SP) e o Luiz Sérgio (RJ) são os mais cotados para a função. Apesar de os dois serem filiados ao PT, ambos já entraram em rota de colisão com a ministra.

“Ideli vai ter de aceitar. Nós fechamos com Vaccarezza ou Luiz Sérgio”, avalia um senador governista que também não tem boa relação com a ministra. A vaga de presidente da CPI deve ficar com um integrante do PMDB. O nome mais cotado é o senador Vital do Rêgo (PMDB-PB). “Eu ainda não fui avisado”, disse o senador paraibano.

Líder do governo na Câmara até o mês passado, Vaccarezza tentou ocupar a pasta das Relações Institucionais quando Luiz Sérgio deixou o cargo. Articulou-se com o PMDB, mas acabou atropelado por Ideli. Vaccarezza acabou mantido na liderança do governo, no entanto nunca se afinou com a ministra da coordenação política.

A briga com Vaccarezza também é reflexo da queda de braço entre setores da bancada do PT que lutam por poder desde o início do ano passado. Ideli sempre foi mais ligada ao ex-líder da bancada petista Paulo Teixeira (PT-SP), ao presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS) e ao deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), que acabou roubando o lugar de Vaccarezza.

Na sexta-feira, Ideli reuniu-se com Chinaglia para discutir as articulações para a formação da CPI. Em seguida, a ministra encontrou-se com o líder do PT, Jilmar Tatto (SP). Mais tarde, Ideli ainda esteve com o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL).

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