"Governo é nau sem rumo", afirma Aécio sobre 200 dias de Dilma

Com oposição rearticulada, senador tucano abandona postura discreta dos primeiros cem dias. DEM sobrevive a racha

Adriano Ceolin, iG Brasília |

Denise Motta/iG
Da esquerda para a direita, Aécio Neves, Tasso Jereissati e Sérgio Guerra comandam PSDB
A oposição também viveu momentos distintos no primeiro semestre de 2011. No começo do ano sofreu com disputas internas, que resultaram num racha no DEM e numa reconfiguração de poder no PSDB. As crises na Casa Civil e no Ministério dos Transportes deram unidade ao discurso. Rearticulados, PSDB e DEM apostam nos desentendimentos entre a base aliada e a presidenta Dilma Rousseff .

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) resolveu assumir o papel de principal voz da oposição. Nos primeiros 100 dias de governo, o tucano preferiu ser discreto. Teve como foco principal a consolidação do seu grupo político dentro da cúpula do PSDB. Após a demissão de Antonio Palocci, passou a registrar com mais ênfase o que define como "incoerências do governo".

“Para mim, esse governo Dilma é uma nau sem rumo”, disse ao iG na quinta-feira. O tucano lembrou algumas idas e vindas do governo nos últimos meses. “Primeiro defende o fim do sigilo para documentos oficiais. Depois recua”, disse. “Primeiro atua em favor da fusão de um grupo de supermercados. Em seguida, volta atrás”, completou Aécio.

Líder do DEM na Câmara, o deputado Antônio Carlos Magalhães Neto avaliou que o governo teve um momento bem sucedido no começo do ano. “Dilma chegou e mudou a política externa e concentrou-se na administração do País. Num primeiro momento, a oposição também estava dividida com problemas internos”, disse o deputado baiano.

Para ACM Neto, no entanto, a “virada da oposição” ocorreu com a votação do Código Florestal, quando o governo foi derrotado. “Além disso, logo em seguida, o ministro Antonio Palocci ( Casa Civil ) teve de se demitir. De lá para cá, o governo só teve problemas, como a crise no Ministério dos Transportes. Está claro para todo mundo que Dilma ainda não conseguiu tirar nenhum projeto do papel”, disse.

Comando tucano

Aécio foi o principal articulador da recondução de Sérgio Guerra (PE) como presidente da Executiva Nacional do PSDB. No cargo desde 2007, o deputado federal pernambucano reformou seu mandato à frente do partido com a missão de organizar a candidatura de Aécio ao Palácio do Planalto em 2014.

Candidato à Presidência da República pelo PSDB em 2010, José Serra viu-se alijado das estratégias montadas por Aécio e Guerra. Tentou reagir nos bastidores e ameaçou até sair do partido no momento mais agudo da disputa interna. Foi contido pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso que o ajudou a conquistar a presidência do novo Conselho Político tucano.

O órgão que funcionará ligado à Executiva Nacional tucana será formado por seis integrantes: além de Serra, Aécio, Guerra, FHC e os governadores Marconi Perillo (Goiás) e Geraldo Alckmin (São Paulo). Por meio de alterações no estatuto tucano, Serra garantiu que o conselho irá deliberar sobre alianças e critérios de escolha para candidatos ao Executivo.

DEM sobrevive

O DEM segue como principal parceiro do PSDB na oposição. O partido conseguiu, até agora, sobreviver à criação do PSD, partido capitaneado pelo prefeito paulistano Gilberto Kassab. O DEM não foi a única sigla a perder deputados. Melhor ainda. Até mesmo alguns kassabistas históricos, como o deputado Rodrigo Garcia (SP), preferiram permanecer na sigla. O PSD não fará oposição a Dilma.

Para o segundo semestre, o presidente nacional do DEM, José Agripino (RN), já anunciou que irá acompanhar de perto a fundação do PSD. Para existir, o partido precisa colher, no mínimo, 500 mil assinaturas em nove unidades da federação. Não é uma tarefa fácil. Já há suspeitas de fraudes no Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais, Rondônia e Amazonas. 

Coadjuvantes

O processo de criação do PSD também abalou o PPS, que nos últimos anos tem atuado em parceria com PSDB e DEM. Os deputados Geraldo Thadeu (MG) e Dimas Ramalho (SP) anunciaram o ingresso na sigla de Kassab. No Senado, o partido perdeu o único senador que havia sido eleito em 2010: Itamar Franco, que faleceu em 2 de julho.

Criado em 2004 por petistas insatisfeitos com o governo Lula, o PSOL adotou uma postura menos raivosa no governo Dilma. “Somos independentes. Quando achamos válido, votamos com o governo”, disse o senador Randolfe Rodrigues (AP). “Agora não dá para apoiar o governo em casos como as denúncias contra Palocci ou Ministério dos Transportes”, completou. 

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