Governo e ‘bancada dos royalties’ entram em rota de colisão

Rio de Janeiro e Espírito Santo ameaçam boicotar votação da DRU, considerada prioritária por Dilma, caso partilha não seja revista

Fred Raposo, iG Brasília |

O governo e as bancadas do Rio de Janeiro e Espírito Santo, que defendem alterações no projeto que redistribui os royalties do petróleo , entraram em rota de colisão. Deputados capixabas e fluminenses ameaçam boicotar a votação da proposta que prorroga até 2015 a Desvinculação de Receitas da União (DRU), considerada prioritária pela presidenta Dilma Rousseff , caso a partilha da receita proveniente do petróleo não seja revista pela Câmara.

Composta por 56 parlamentares, em sua maioria da base, a “bancada dos royalties” condicionou o apoio a DRU à criação de uma comissão especial para debater o projeto dos royalties. A comissão está em estudo pelo presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS) , mas os deputados pressionam para que a decisão sobre o grupo de trabalho saia até segunda-feira.

“Estamos definindo a posição em bancada. Se for a questão de obstruir, já fizemos hoje”, disse o ex-governador do Rio Anthony Garotinho (PR-RJ), em entrevista ontem ao iG , referindo-se à decisão do Planalto de adiar a votação do primeiro turno da DRU , que estava prevista para a última quarta-feira.

“Veremos na semana que vem. Se criar a comissão especial, não há necessidade de obstrução da DRU”, completou o deputado, cujos cálculos apontam que o prejuízo do Rio de Janeiro com a redistribuição dos royalties pode chegar a R$ 48 bilhões, entre recursos que iriam para estado e municípios, de 2012 a 2020.

O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), porém, fez um apelo aos parlamentares. “Quero pedir às bancadas para não obstruírem a DRU, que é importantíssima para o país. Vamos deixar a DRU fora dessa conversa", afirmou ao iG , acrescentando que acha “correto” o debate sobre os royalties.

A rebelião das bancadas , que somam mais de 10% dos parlamentares da Casa, começou a tomar forma na última terça-feira. Os deputados armaram estratégias de retaliação contra o governo, que incluem obstruir votações, acionar a Justiça, bloquear estradas e até apoiar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).

Eles são encabeçados por congressistas aliados, como a primeira vice-presidente da Câmara, Rose de Freitas (PMDB-ES), o ex-governador Garotinho, o deputado Fernando Jordão (PMDB-RJ) e o senador Magno Malta (PR-ES).

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