Governador do Amapá volta ao trabalho sob protestos

Movimento "Mãos Limpas", em alusão à operação da PF que prendeu Pedro Dias (PP) quer o impeachment dele; Dias disse que é inocente

Agência Brasil |

O governador do Amapá, Pedro Paulo Dias (PP), enfrentou protestos na volta ao trabalho, nesta terça-feira (21), durante a cerimônia de posse. Um grupo de manifestantes reuniu-se em frente ao palácio do governo para pedir o afastamento do governador. O movimento, chamado de Mãos Limpas em alusão à operação da Polícia Federal (PF), apoia o pedido de impeachment de Dias, protocolado semana passada na Assembleia Legislativa do Estado.

Agência Estado
Governador do Amapá, Pedro Paulo Dias (PP), que reassumiu o cargo após ser preso, faz pronunciamento sobre a operação da PF
Segundo a coordenadoria de Comunicação do Estado, a volta ao governo foi marcada por uma cerimônia simples. Durante o discurso, Dias disse, aos prantos, que era inocente e ainda questionou a ação da PF. “Meu povo precisa saber que fui levado para outro Estado e que fiquei lá durante nove dias sob alegação de ter praticado irregularidades no meu governo, sem qualquer comprovação e sem sequer ser ouvido”.

Dias afirmou que não renunciará ao governo. “Minha gente, o trabalho não pode parar. Continuarei assumindo as responsabilidades, sem arbitrariedade. Continuarei governando com firmeza, mas sem arrogância”, disse, durante o discurso.

Após nove dias preso em Brasília, o governador reassumiu o cargo nesta segunda-feira (20). Ele, que ocupa o terceiro lugar nas pesquisas eleitorais para o governo do estado, chegou a Macapá por volta das 17h e foi recebido por militantes do partido. Segundo dados da Polícia Militar do Amapá, cerca de 20 mil pessoas participaram da carreata de recepção do governador, que foi feita no percurso entre o aeroporto e a praça Beira Rio.

A Operação Mãos Limpas investiga um esquema de desvio de recursos que envolve o governador Pedro Paulo Dias, o ex-governador do Estado Waldez Góes; o ex-secretário de Educação José Adauto Santos Bitencourt; o empresário Alexandre Gomes de Albuquerque e mais 12 pessoas.

As investigações, iniciadas em 2009, revelaram indícios de um esquema de desvio de recursos da União, que eram repassados à Secretaria de Educação do Amapá, provenientes do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) e do extinto Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef).

Além da Secretaria de Educação, outros órgãos do governo do Amapá, como a Assembleia Legislativa, a prefeitura de Macapá, o Tribunal de Contas do Estado, as secretarias estaduais de Justiça e Segurança Pública, Saúde, Inclusão e Mobilização Social, Desporto e Lazer, além do Instituto de Administração Penitenciária estão envolvidos no escândalo.

O Ministério Público da União (MPU) disse hoje que não vai pedir nova prisão de Dias, nem o afastamento do governador do cargo, porque o fato dele estar no governo exercendo suas funções não atrapalhará a investigação.

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