Governador de Minas sai em defesa de Perillo no caso Cachoeira

Para Anastasia, governador de Goiás "já deu todas as explicações" sobre sua ligação com o bicheiro, preso em operação da PF

AE |

selo

O governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia (PSDB), saiu em defesa do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e disse na manhã desta terça-feira (10) que o colega tucano já se explicou sobre sua ligação com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, acusado de comandar uma rede ilegal de jogos caça-níqueis e pivô de um escândalo que envolve políticos goianos e de outros Estados. "Acho que o governador já deu todas as explicações", afirmou, após participar na capital paulista de evento promovido pelo Grupo de Líderes Empresariais (Lide).

Leia também: Caso Cachoeira gera clima de instabilidade política em Goiás

Em entrevista publicada nesta semana pelo jornal O Estado de S. Paulo, Perillo comentou o escândalo das gravações que mostraram a relação estreita do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) com Cachoeira. "Numa hora como essa não dá para haver hipocrisia", afirmou. "Todos os políticos importantes de Goiás tiveram algum tipo de relação ou de encontro com Carlos Ramos, como empresário e dono de indústria de medicamentos em Anápolis que se relacionou durante muito tempo com várias personalidades da sociedade goiana."

Anastasia não quis se posicionar sobre a possível abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o envolvimento de parlamentares com Cachoeira, revelado pela Operação Monte Carlo da Polícia Federal. "CPI é tema do Congresso Nacional e não de um governador", disse.

A investigação feita pela Polícia Federal e os grampos autorizados pela Justiça apontaram o envolvimento de Demóstenes com o esquema de Cachoeira. O senador se desfiliou do DEM para evitar um processo de expulsão e pode ser cassado por quebra de decoro parlamentar. Dados do processo ainda levantam suspeitas contra outros políticos de Goiás.

iG Explica: Entenda a crise envolvendo o senador Demóstenes Torres

No Congresso, líderes tanto dos partidos governistas quanto da oposição devem começar nesta terça-feira, no Senado e na Câmara, a coleta de assinaturas para o pedido de uma comissão mista que investigue a ligação de parlamentares das duas Casas com Cachoeira, que está detido no presídio federal de segurança máxima de Mossoró (RN).

A Assembleia de Goiás também deve instalar uma CPI para investigar a relação de políticos e de membros do poder executivo estadual com Cachoeira.

No sábado (7), o iG revelou, com base no inquérito da Polícia Federal (PF) da Operação Monte Carlo, que as polícias Civil e Militar estavam a serviço de Cachoeira para a abertura e fechamento de bingos. Ontem, o iG mostrou que o grupo de Cachoeira indicava até promoções de membros da Polícia Militar de Goiás (PM-GO).

Na semana passada, surgiram revelações de que Cachoeira teria um vínculo com o então presidente do Departamento de Trânsito em Goiás (Detran-GO), Edivaldo Cardoso. Ele pediu exoneração do cargo. A chefe de gabinete do governador do Estado, Marconi Perillo (PSDB), Eliane Pinheiro, também pediu para se desvincular do executivo após ser flagrada em conversas telefônicas com Cachoeira. Nas conversas, ela falava sobre operações da Polícia Federal de Goiás com Cachoeira.

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG