Site da pasta diz que 'em 31 de março iniciou-se a Revolução, desencadeada para combater a política sindicalista de Goulart'; página foi excluída após iG acionar secretaria

O site da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo na internet descreve o golpe de 1964, início da ditadura militar que durou até a eleição de Tancredo Neves, em 1985, como uma “revolução” que teve como objetivo se opor à política de esquerda do então presidente João Goulart.

“Em 31 de março de 1964 iniciou-se a Revolução, desencadeada para combater a política sindicalista de João Goulart”, diz o texto.

A informação faz parte da linha do tempo da página institucional da Secretaria. O texto é ilustrado por um desenho no qual um militar aparece em destaque, o símbolo comunista (foice e martelo) coberto por um “x” e uma faixa da marcha da família com Deus pela liberdade, manifestação organizada pela organização católica de extrema direita TFP (Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade).

Site da Secretaria da Segurança de São Paulo chama Golpe de 64 de Revolução
Reprodução site da Secretaria da Segurança de SP
Site da Secretaria da Segurança de São Paulo chama Golpe de 64 de Revolução

Segundo o site da secretaria, “a Força Pública (antiga Polícia Militar) e a Guarda Civil (Polícia Civil) puseram-se solidárias às autoridades e ao povo”.  Depois de ser procurada pela reportagem, a SSP retirou a página do ar e o ano de 1964 foi excluído da linha do tempo.

Um dos principais centros de repressão e tortura da ditadura militar em São Paulo foi o Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) da Polícia Civil, posteriormente transformado em Departamento de Comunicação Social (DCS). No ano passado o iG revelou que o DCS continuou servindo como uma central de espionagem política até 1999, em pleno regime democrático .

A assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública, em nota, afirma que o texto não reflete o pensamento do órgão e por isso foi retirado do site. "A SSP agradece à observação, sempre atenta, da imprensa", conclui a nota.

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