Golpe de 1964 foi 'revolução' segundo Secretaria da Segurança de São Paulo

Site da pasta diz que 'em 31 de março iniciou-se a Revolução, desencadeada para combater a política sindicalista de Goulart'; página foi excluída após iG acionar secretaria

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

O site da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo na internet descreve o golpe de 1964, início da ditadura militar que durou até a eleição de Tancredo Neves, em 1985, como uma “revolução” que teve como objetivo se opor à política de esquerda do então presidente João Goulart.

“Em 31 de março de 1964 iniciou-se a Revolução, desencadeada para combater a política sindicalista de João Goulart”, diz o texto.

A informação faz parte da linha do tempo da página institucional da Secretaria. O texto é ilustrado por um desenho no qual um militar aparece em destaque, o símbolo comunista (foice e martelo) coberto por um “x” e uma faixa da marcha da família com Deus pela liberdade, manifestação organizada pela organização católica de extrema direita TFP (Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade).

Reprodução site da Secretaria da Segurança de SP
Site da Secretaria da Segurança de São Paulo chama Golpe de 64 de Revolução

Segundo o site da secretaria, “a Força Pública (antiga Polícia Militar) e a Guarda Civil (Polícia Civil) puseram-se solidárias às autoridades e ao povo”.  Depois de ser procurada pela reportagem, a SSP retirou a página do ar e o ano de 1964 foi excluído da linha do tempo.

Um dos principais centros de repressão e tortura da ditadura militar em São Paulo foi o Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) da Polícia Civil, posteriormente transformado em Departamento de Comunicação Social (DCS). No ano passado o iG revelou que o DCS continuou servindo como uma central de espionagem política até 1999, em pleno regime democrático .

A assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública, em nota, afirma que o texto não reflete o pensamento do órgão e por isso foi retirado do site. "A SSP agradece à observação, sempre atenta, da imprensa", conclui a nota.

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