Gleisi salta do Senado à Casa Civil em velocidade recorde

Senadora do Paraná em primeiro mandato, conhecida como a musa do Congresso, vira a ministra mais importante em menos de seis meses

Danilo Fariello e Naiara Leão, iG Brasília |

Fellipe Bryan Sampaio
Gleisi assume cargo que já teve quatro ocupantes em um ano
Uma ascensão política em velocidade inédita neste país levou uma senadora em primeiro ano de mandato ao posto máximo da Esplanada dos Ministérios em menos de seis meses. Em janeiro, Gleisi Hoffmann tomou posse pela primeira vez como senadora pelo PT do Paraná e hoje foi convidada para ser chefe da Casa Civil, no lugar de Antonio Palocci.

Com o convite – já aceito – a presidenta Dilma Rousseff ganhará ao seu lado uma mulher de perfil bastante técnico – ela é especialista em temas como orçamento e gestão –, mas com traquejo político capaz de ganhar eleições majoritárias e negociar no Senado. Já o Congresso perderá por ora a sua Miss Simpatia ou até sua musa, como a curitibana loira de 45 anos é apontada nos corredores de Brasília - títulos que ela fez questão de negar .

Nesse pouco tempo de mandato, a senadora deixou de ser conhecida apenas como “a mulher de Paulo Bernardo” – ex-ministro do Planejamento e atualmente na para de Comunicações – para se tornar uma das mais fervorosas defensoras do governo no Senado, dividindo com a colega paulista Marta Suplicy o posto na chamada “tropa de choque feminina”.

Gleisi já conhece o "fogo amigo"

Mas, em Brasília, crescimento político na velocidade da nova ministra não ocorre sem intempéries. Ela sofreu na pele, nos últimos dias, pelo menos um forte revés político. Senadores vazaram que, em encontro da bancada com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ela teria sido a primeira e mais enfática senadora a pedir afastamento de Palocci.

A notícia colocou em xeque o apoio incondicional da senadora ao governo. Gleisi negou a declaração publicamente, mas ficou claro naquele momento que seu crescimento político provocava inveja nos colegas aliados e tornou-a vítima do chamado “fogo amigo”, o qual terá que superar agora no posto conhecido como maior “vidraça” do governo.

A senadora assume um posto que teve quatro ocupantes em apenas dois anos, sendo que, além de Palocci, também a ex-ministra Erenice Guerra deixou o cargo como alvo de escândalos há menos de um ano, ainda durante a campanha de Dilma.

À frente da Casa Civil, Gleisi já terá grandes desafios pela frente. O primeiro deles, será uma intrincada negociação na sua Casa de origem, o Senado. Ela terá de defender o projeto do governo sobre o Código Florestal, sendo que a própria declarou ao Poder Online , há menos de dez dias, ser mais a favor do texto que saiu da Câmara do que da proposta original do Executivo .

Gleisi recusa o título de musa, mas reconhece que, na vida pessoal, é uma mulher que “se cuida”, tendo até reclamado de falta de tempo para fazer o cabelo, com a agenda apertada de senadora. Em entrevista ao iG, ela diz que não tinha muito como evitar as conversas de política em casa, com o ministro Bernardo. “Dizer que proíbe, não, conversa sobre outros temas, mas é o preponderante. É a nossa vida. É política e os filhos.”

Trajetória até a Casa Civil

A nova ministra nasceu em 6 de setembro de 1965, em Curitiba, mas passou a infância a adolescência em Vila Lindóia (PR). Quando voltou para a capital começou a se interessar por política no Grêmio Estudantil do Colégio Nossa Senhora Medianeira. Depois, fez parte da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) e filiou-se em 1989 ao Partido dos Trabalhadores (PT).

Ela estudou Direito no Centro Universitário Curitiba e começou no serviço público como assessora parlamentar do então vereador de Curitiba Jorge Samek, em 1988.

Foi então que Gleisi começou a se interessar por orçamento público. Anos depois, ela se especializou em Gestão de Organizações Públicas e Administração Financeira depois de fazer cursos na Associação Brasileira de Orçamento Público (ABOP), pela Escola Superior Administração Fazendária (ESAF) e no Fundo Monetário Internacional (FMI).

Assessora de Bernardo na Câmara

Em 1993, Gleisi foi trabalhar em Brasília na equipe técnica da Comissão de Orçamento da Câmara, onde se aproximou do então deputado Paulo Bernardo. Ele tinha na mulher a principal assessora para assuntos de orçamento, mas foi o próprio marido quem assumiu o Ministério do Planejamento no governo Lula, sempre contando com o apoio, ainda que informal, da esposa especialista.

Gleisi deixou a capital federal em 1999, para ser secretária de Reestruturação Administrativa do Mato Grosso do Sul na gestão do então governador Zeca do PT. Dois anos depois ela retornou ao Paraná a convite do prefeito Nedson Michelete para assumir a secretaria de Gestão Pública de Londrina.

No PT, Gleisi foi Secretária Estadual de Mulheres, membro do Diretório Nacional do Partido e presidente estadual do Partido no Paraná. Trabalhou também na equipe de transição do governo Lula em 2002, quando conheceu a presidenta Dilma Roussef, então ministra de Minas e Energia, e foi indicada ao cargo de diretora financeira da Itaipu Binacional, de novo ao lado de Samek. Lá, fechou parcerias com ONGs contra a violência doméstica e a prostituição infantil.

Antes de 2010, Gleisi tentou se eleger duas vezes sem sucesso. A primeira, foi para o Senado pelo PT, em 2006. A segunda, para a prefeitura de Curitiba, em 2008, também pelo partido. No ano passado, ela foi eleita com 29% dos votos dos paranaenses, mais do que os 24% de votos do ex-governador do Estado, Roberto Requião (PMDB).

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