Gilberto Carvalho diz que governo vive momento tenso

Para ministro, situação requer 'que não se tenha cabeça quente': 'Não há motivos para rasgar as roupas de preocupação'

iG São Paulo |

O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, disse nesta quinta-feira que o governo vive um momento tenso com a base aliada e que é necessário agora recompor essa relação.

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AE
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho (2/5/2011)

“A relação com a base, a relação com o Parlamento, requer que não se tenha cabeça quente, que não se tenham relações imediatas, que se analise cada um dos processos”, explicou. “Considero que nossa relação com os partidos é bem madura e não há motivos para sair rasgando as roupas de preocupação. Vamos conversar e recompor essa relação”, acrescentou.

Na quarta-feira, o Senado rejeitou a recondução de Bernardo Figueiredo à diretoria-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Após longa discussão, na qual diversos senadores acusaram Figueiredo de estar sob suspeição por causa de irregularidades apontadas na agência pelo Tribunal de Contas da União (TCU), a votação terminou com 36 votos contra a recondução, 31 a favor e 1 abstenção.

O ministro Gilberto Carvalho fez as declarações logo após cerimônia de abertura de seminário sobre a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que prevê a consulta a povos tradicionais, como indígenas e quilombolas, antes de o governo tomar medidas que possam atingi-los.

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Na Câmara dos Deputados, o líder do governo Cândido Vacarezza (PT-SP) afirmou não temer uma revolta da base aliada. "Eu acho que não tem nenhuma relação da Câmara e do Senado nesse caso. Já houve derrota nas Casas e, no geral, o governo sai vitorioso", disse.

O petista reconheceu que as insatisfações são as mesmas entre senadores e deputados, mas ponderou que na Câmara as ações são diferentes. "Não tenho nenhum temor em relação às votações na Câmara", afirmou.

Na quarta-feira, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), afirmou que há um "explícito desgaste político" . "Há uma insatisfação de setores da bancada da base aliada. Resolveram sacrificar um técnico de grande qualidade do governo (Bernardo Figueiredo)”, completou.

Ao longo de 2011, o PMDB do Senado manteve-se aliado do governo Dilma. A maioria das críticas sempre partiu da bancada da Câmara, onde um grupo de 54 deputados chegaram a apresentar um manifesto com uma série de reclamações contra Dilma Rousseff e o PT.

Temer tentou esvaziar o movimento, pedindo para que todos assinassem o texto e transformassem o caso numa discussão interna do partido. O que não se esperava é que a insatisfação chegasse tão rápido ao Senado.

Outros partidos da base, como PR e o PDT, também estão insatisfeitos com Dilma. As duas legendas tentam indicar nomes para os ministérios dos Transportes e do Trabalho, respectivamente. Os dois partidos também ameaçam apoiar a candidatura de José Serra (PSDB) à Prefeitura de São Paulo contra o candidato do governo Fernando Haddad (PT).

Com Agência Brasil e Valor Online

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