Advogado envolvido em negociação sobre decisão do Supremo com Roriz abandona casos de outros políticos que defende

Adriano José Borges Silva, genro do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Ayres Britto, decidiu que ele e sua sócia e companheira, Adriele Ayres Britto, a filha do ministro, se retirarão de todos os processos em que atuam como advogados no STF e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Por meio de sua assessoria de imprensa, Borges afirma que a decisão foi tomada “para que não haja constrangimentos às cortes e nem aos seus clientes”. O casal permanecerá em atuação, portanto, apenas em processos de primeira instância ou que tenham ido para outros tribunais de segunda instância.

Um levantamento com o nome e número da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Borges e Adriele nos sites das cortes indica que ele atuaria em pelo menos 60 processos no TSE e, ambos, estariam presentes em mais de cinco no STF. A dúvida com relação ao número se refere à duplicidade dos processos, já que pode ser o mesmo que tramitou pelos dois tribunais.

Borges abandonou, portanto, o caso dos magistrados do Mato Grosso. Ele defendia juízes que foram afastados em processos administrativos disciplinares do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O genro do ministro do STF viveu muito tempo em Cuiabá, onde diz ter formado uma amizade com esses magistrados.

Os nomes de Borges e de Adriele constam, por exemplo, de uma ação cautelar sobre a Lei da Ficha Limpa movida pelo ex-senador por Rondônia Expedito Júnior (PSDB), que concorria ao governo nestas eleições mas foi derrotado. Borges advogou para Expedito por muitos anos, mas deixou de trabalhar com o político, permanecendo apenas com causas antigas.

O escândalo envolvendo Borges e Adriele teve início com a divulgação de um vídeo com exclusividade pelo iG em que o advogado e o ex-governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz (PSC), negociavam a participação de Borges no caso, o que poderia levar ao impedimento de seu sogro, o ministro Britto, na votação de Roriz pelo Ficha Limpa. Sem o voto de Britto, Roriz teria sido liberado para participar das eleições. Com o empate em 5 a 5 no STF, porém, Roriz resolveu renunciar à candidatura, indicando sua esposa Weslian Roriz (PSC) em seu lugar. Weslian concorre no segundo turno com Agnelo Queiroz (PT).

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