Genro de Britto desiste de causas no STF e no TSE

Advogado envolvido em negociação sobre decisão do Supremo com Roriz abandona casos de outros políticos que defende

Danilo Fariello, iG Brasília |

Adriano José Borges Silva, genro do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Ayres Britto, decidiu que ele e sua sócia e companheira, Adriele Ayres Britto, a filha do ministro, se retirarão de todos os processos em que atuam como advogados no STF e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Por meio de sua assessoria de imprensa, Borges afirma que a decisão foi tomada “para que não haja constrangimentos às cortes e nem aos seus clientes”. O casal permanecerá em atuação, portanto, apenas em processos de primeira instância ou que tenham ido para outros tribunais de segunda instância.

Um levantamento com o nome e número da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Borges e Adriele nos sites das cortes indica que ele atuaria em pelo menos 60 processos no TSE e, ambos, estariam presentes em mais de cinco no STF. A dúvida com relação ao número se refere à duplicidade dos processos, já que pode ser o mesmo que tramitou pelos dois tribunais.

Borges abandonou, portanto, o caso dos magistrados do Mato Grosso. Ele defendia juízes que foram afastados em processos administrativos disciplinares do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O genro do ministro do STF viveu muito tempo em Cuiabá, onde diz ter formado uma amizade com esses magistrados.

Os nomes de Borges e de Adriele constam, por exemplo, de uma ação cautelar sobre a Lei da Ficha Limpa movida pelo ex-senador por Rondônia Expedito Júnior (PSDB), que concorria ao governo nestas eleições mas foi derrotado. Borges advogou para Expedito por muitos anos, mas deixou de trabalhar com o político, permanecendo apenas com causas antigas.

O escândalo envolvendo Borges e Adriele teve início com a divulgação de um vídeo com exclusividade pelo iG em que o advogado e o ex-governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz (PSC), negociavam a participação de Borges no caso, o que poderia levar ao impedimento de seu sogro, o ministro Britto, na votação de Roriz pelo Ficha Limpa. Sem o voto de Britto, Roriz teria sido liberado para participar das eleições. Com o empate em 5 a 5 no STF, porém, Roriz resolveu renunciar à candidatura, indicando sua esposa Weslian Roriz (PSC) em seu lugar. Weslian concorre no segundo turno com Agnelo Queiroz (PT).

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