Gastos com cartão corporativo bateram recorde em 2010

PSDB pedirá esclarecimentos ao governo, com base levantamento da ONG Contas Abertas que aponta gasto 24% superior ao de 2009

iG São Paulo |

Os gastos com cartões corporativos do governo federal bateram recorde e alcançaram a marca de R$ 80 milhões em 2010, de acordo com um levantamento divulgado nesta quinta-feira pela ONG Contas Abertas. O valor representa R$ 15 milhões a mais que o valor contabilizado no ano anterior, o que equivale a um aumento de 24%.

Agência Estado
Matilde Ribeiro perdeu o cargo em meio às denúncias sobre uso indevido dos cartões
O mau uso dos cartões corporativos abalou o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2008, após uma análise da base de dados do governo apresentar gastos suspeitos feitos por vários ministros. O caso resultou na demissão da então ministra da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, que usou o cartão corporativo para pagar compras em um free shop. Na época, ganhou destaque também a notícia de que o então ministro do Esporte, Orlando Silva, havia usado o documento até para pagar uma tapioca.

Segundo o Contas Abertas, os gastos com cartões corporativos somaram R$ 357,6 milhões desde que o documento foi implantado, em 2001. No topo dos que mais utilizaram os cartões ao longo dos últimos nove anos, está a Presidência da República, com quase R$ 105,5 milhões pagos, dos quais 93% não podem ser discriminados por serem “informações protegidas por sigilo, para garantia da segurança da sociedade e do Estado”. Em 2010, quem liderou o ranking foi o Ministério do Planejamento – e suas unidades vinculadas –, que triplicou o gasto em relação a 2009 e desembolsou o total de R$ 19,3 milhões.

Com base nos dados, o líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR), anunciou que pretende encaminhar requerimentos aos 37 ministros e à Presidência da República pedindo esclarecimentos sobre os gastos. Segundo o tucano, os documentos estão prontos, mas dependem do reinício das atividades legislativas para serem protocolados.

Em 2008, alguns meses após a eclosão das primeiras denúncias sobre o uso indevido dos cartões, o Congresso abriu uma CPI para tratar do assunto. O relatório final, assinado pelo deputado Luiz Sérgio (PT-RJ) -- hoje ministro das Relações Institucionais -- não recomendou o indiciamento de ninguém. Apenas sugeriu regras mais rígidas na utilização do instrumento, como a limitação aos saques a 30% do limite de cada cartão.

*Com informações da Agência Estado

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