Garotinho: ‘Aliança com o DEM está consolidada, não tem volta’

Sobre a rivalidade com Cesar Maia ele diz: 'Existem momentos que nós temos que superar dificuldades anteriores'

Flávia Salme, iG Rio de Janeiro |

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Garotinho
Articulista de uma das alianças mais inesperadas para as eleições de 2012, no Rio de Janeiro, o ex-governador e deputado federal Anthony Garotinho afirma que o acordo com o DEM está ratificado. “A aliança está consolidada e não tem volta. Vamos entrar agora na etapa de encaminhar um programa de atuação conjunta de temas importantes para o estado e a capital”.

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Para dirimir as resistências dentro do PR à aproximação com o grupo do ex-rival Cesar Maia, Garotinho foca em seus adversários, o prefeito Eduardo Paes e o governador Sérgio Cabral, ambos do PMDB, para recordar que em política tudo pode acontecer. “Eduardo Paes chamou o filho do Lula de ladrão e depois o Lula gravou o programa eleitoral dele na TV. O Cabral, no primeiro governo Lula, dizia que era o pior presidente da história do Brasil, que não tinha condições – expressão dele – de dirigir um fusquinha velho”, exemplifica.

Sobre o acordo com o DEM, justifica: “Existem momentos em que as alianças são feitas e nós temos que superar dificuldades anteriores”. Se a chapa será mesmo formada pelo deputado federal Rodrigo Maia e sua filha, a deputada estadual Clarissa Garotinho, ele resume. “A princípio é Rodrigo Maia para prefeito e Clarissa, vice. Pode ser que haja qualquer alteração, mas o partido trabalha com esta possibilidade.”

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A seguir, o deputado Anthony Garotinho conta mais detalhes sobre o acordo que está sendo alinhavado entre o partido que comanda no Rio de Janeiro, o PR, para as eleições de 2012.

iG: Quais as condições para viabilizar a aliança entre o senhor e Cesar Maia?
Anthony Garotinho:
Estamos fazendo uma aliança com o DEM para ganhar as principais cidades do Rio de Janeiro e isso tem deixado o PMDB nervoso. Eles não conseguem entender como uma aliança que eles conseguiram construir nos estados comprando partidos políticos e lideranças através de cargos e de dinheiro consegue correr risco de perder para PR, que vai vencer em muitas prefeituras.

iG: A deputada Clarissa Garotinho, sua filha, disse que ainda não está convencida de ser a candidata a vice-prefeita na chapa com o Rodrigo Maia. Há riscos de a aliança não vingar?
Anthony Garotinho:
A aliança está consolidada e não tem volta. A princípio é Rodrigo Maia prefeito e Clarissa, vice. Vamos entrar agora na etapa de encaminhar um programa de atuação conjunta de temas importantes para o estado e a capital. Pode ser que haja qualquer alteração, mas o partido trabalha com esta possibilidade.

iG: O objetivo é reduzir o espaço do PMDB no Rio ou implantar políticas públicas que sejam de interesse comum entre PR e DEM?
Anthony Garotinho:
O Sérgio Cabral vive como imperador do Rio. Ele é capaz de criar um código de ética que ele mesmo não cumpre. Há uma blindagem em torno do Cabral que precisa ser mostrada, por isso estamos nos aliando ao DEM. Tivemos aqui problemas com as barcas, com os trens - teve trem andando sozinho, sem maquinista; problema com o bondinho de Santa Teresa; com o metrô, que está caótico. Na saúde, o Hospital Estadual Pedro II, em Santa Cruz, está fechado. Os hospitais Rocha Faria e Getúlio Vargas estão um caos. Imagina o governador mandar prender, coisa que nem a ditadura fez, mais de 430 manifestantes, como ocorreu no caso dos bombeiros? Na época da ditadura só houve caso parecido no congresso da UNE em Ibiúna (em 1968), que foi todo mundo preso. Aqui tudo é superfaturado: ar-condicionado em escola pública, aluguel de viatura para PM, hospital de lata, essas UPAs... e não acontece nada.

iG: O PMDB-RJ governa o Estado e a capital, além de outras 34 prefeituras. O grupo que está no comando já foi aliado do senhor. Essa rivalidade é política ou pessoal?
Anthony Garotinho:
O Picciani (presidente do PMDB-RJ) é um homem ressentido. Todas as entrevistas dele são contraditórias. Na entrevista que ele deu recentemente ao iG falou que eu jamais voltaria a ser governador do Rio de Janeiro e, ao mesmo, disse que eu o fiz perder a corrida para o Senado. Ele diz que não tenho voto na cidade do Rio, mas contra os números a gente não pode brigar, eu fui o deputado federal mais votado na capital, 177 mil votos. Na zona oeste eu ganhei disparado. O Picciani faz suas análises baseados nas suas conveniências. Ele está ressentido porque gastou uma fortuna, esbanjou dinheiro, placas, e quando abriu a urna não tinha votos.

iG: Por que essa briga?
Anthony Garotinho:
A lógica atual do PMDB não é a mesma lógica do PMDB que eu ajudei a fazer o maior partido do Estado. Basta lembrar... Quando eu entrei no PMDB era um partido fraco, tinha poucas prefeituras, o último governador eleito tinha sido o Moreira Franco, não tinha senador, não tinha nada. Quando eu deixei o PMDB, eu deixei com o maior número de prefeitos, o maior número de deputados estaduais e federais, um senador e um governador. Mas a minha lógica era um partido dos movimentos de base, da juventude. Hoje a lógica do PMDB é o aparelhamento do estado, da compra de lideranças. Só que o Cabral conta com uma estrutura de propaganda, de apoio dos meios de comunicação, que faz lembrar a era nazista.

iG: Quantas prefeituras o senhor acredita que o PR e aliados conseguirão conquistar?
Anthony Garotinho:
Acredito que nosso grupo vai fazer 30% das prefeituras no Estado (28 cidades), a maioria com candidato do PR. Mas temos outros acordos. Por exemplo: o PT é um partido da base do Sérgio Cabral, mas em Barra do Piraí, o presidente da Câmara Municipal, que é do PT, é pré-candidato contra o prefeito da cidade, que é do PMDB, e conta com meu apoio. Em Saquarema, o adversário da mulher do Paulo Melo (presidente da Assembleia Legislativa do Rio, do PMDB) é um vereador, Paulo Ricardo, que é do PRB e terá como vice o PR. Em Petrópolis nós vamos dar o vice do PSB.

iG: O senhor vem candidato em 2014?
Anthony Garotinho:
Quem gosta de fazer previsão com tanta antecedência é astrólogo. Eu faço política. Primeiro, vamos cuidar de 2012, porque em 2014 eu tenho quatro opções: posso ser candidato a deputado federal, candidato a senador, candidato a governador e posso não concorrer a nada, não nasci político. Eu sempre militei na comunicação...

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