Futuro ministro, Mercadante sai na frente na corrida à prefeitura

Em 2012, Mercadante vai concorrer com a ex-prefeita e senadora eleita Marta Suplicy e com o ministro da Educação, Fernando Haddad

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

Com o convite - aceito - para ocupar o Ministério da Ciência e Tecnologia no governo Dilma Rousseff, o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) larga na frente na disputa que vai definir o candidato do PT à Prefeitura de São Paulo em 2012.

Ele vai concorrer com a ex-prefeita e senadora eleita Marta Suplicy e com o ministro da Educação, Fernando Haddad.

Segundo fontes petistas, a disputa começou em abril deste ano, antes mesmo da formalização das candidaturas de Mercadante para o governo de São Paulo e de Marta para o Senado.

Na época, as duas maiores lideranças do PT paulista protagonizaram um jogo de empurra no qual os dois pleiteavam a vaga para o Senado, cuja eleição era dada como certa, e rechaçavam concorrer ao governo de São Paulo devido às poucas chances de vitória.

Marta ganhou a batalha mas Mercadante agiu nos bastidores e conseguiu uma boa vantagem a médio prazo ao “amarrar” a ex-prefeita ao Senado nos próximos oito anos. O motivo é o suplente de Marta, o vereador paulistano Antonio Carlos Rodrigues (PR), alvo de denúncias de corrupção. A avaliação no PT é que a senadora eleita pode sofrer forte desgaste se deixar a vaga no Senado para Rodrigues.

Nome natural para compor a ala feminina do ministério de Dilma, Marta foi relegada na composição do novo governo em função da sombra de Rodrigues.

Segundo fontes petistas, a manobra que emplacou o vereador do PR na suplência de Marta foi articulada pelo grupo de Mercadante. O primeiro nome cogitado foi o de Antonio Palocci, que abriu mão. Surgiram então as opções de Paulo Frateschi (secretário de Organização do PT) e do ex-deputado Ricardo Zaratini.

O PR de Rodrigues nunca exigiu a suplência de Marta para integrar a coligação que apoiou Mercadante. A oferta partiu do próprio PT. De acordo com petistas que participaram das negociações, a vaga de suplente foi oferecida pelo presidente estadual do partido, Edinho Silva, em uma reunião com o líder do PR paulista, Valdemar Costa Neto.

“O PR nunca pediu a vaga e não deixaria de apoiar Mercadante por causa disso”, afirmou um alto dirigente do PT.

Além de “amarrar” Marta ao Senado, Mercadante ganhou pontos com a cúpula do partido e especialmente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao aceitar o sacrifício de disputar o governo paulista só para garantir um palanque forte a Dilma no maior colégio eleitoral do País. O gesto de altruísmo foi recompensado com o Ministério da Ciência Tecnologia.

Além de Mercadante e Marta, Haddad corre por fora. O nome do ministro da Educação conta com o apoio de setores do PT que defendem um nome novo na disputa em São Paulo, entre eles Lula. Contra o ministro pesa o fato de não ter demonstrado empenho para cumprir o longo ritual petista que inclui visitas e conversas frequentes com líderes locais e com as bases do partido.

Em artigo publicado na página do PT, o vereador Donato, presidente do diretório municipal do partido em São Paulo, avaliou que os 45,5% obtidos por Dilma na capital paulista representam uma reversão da tendência de queda do PT na cidade verificada a partir de 2002.

Naquele ano Lula obteve 51%. Em 2004 e 2006 a votação do partido caiu para 45% e chegou a 39,5% em 2008.

“Revertemos esse quadro neste ano. Saímos dessa curva decrescente e voltamos aos 46,5%”, disse Donato.

Segundo ele, as políticas sociais do governo Lula ajudaram a criar um forte eleitorado petista nos bairros da periferia. Prova disso seria o mapa da votação para presidente na cidade. Dilma ganhou em 28 das 58 zonas eleitorais, a maior parte na periferia.

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