'FT' destaca dúvidas de analistas sobre equipe econômica de Dilma

Nomeações de Mantega, Belchior e Tombini foram confirmadas na quarta-feira

BBC Brasil |

 O anúncio da nova equipe econômica da presidente eleita Dilma Rousseff não conseguiu eliminar dúvidas de analistas sobre o comprometimento do futuro governo com a austeridade fiscal, afirma reportagem publicada nesta quinta-feira pelo Financial Times . Dilma confirmou na quarta-feira a manutenção de Guido Mantega à frente do Ministério da Fazenda e as nomeações do diretor do Banco Central Alexandre Tombini para substituir Henrique Meirelles na presidência da instituição e de Miriam Belchior para o Ministério do Planejamento.

"O anúncio pretendia acalmar os nervos nos mercados financeiros, onde havia especulações sobre as nomeações e o que elas poderiam revelar sobre a política econômica do Brasil", diz o diário de finanças britânico. "Mas analistas dizem que as mudanças em posições-chave também levantam questões preocupantes sobre o comprometimento do futuro governo com a austeridade fiscal", afirma a reportagem.

Continuidade
O jornal destaca a declaração da presidenta eleita de que haverá continuidade na política econômica e afirma que a nomeação de Tombini, um técnico de carreira do BC e apolítico, também parecia ter o objetivo de passar aos mercados a ideia de continuidade.

"Mas os analistas também manifestam preocupação de que sua indicação poderia sinalizar um alinhamento mais próximo entre o Ministério da Fazenda e o Banco Central e dizem que isso poderia resultar em menos rigor tanto na política monetária quanto na fiscal", diz o Financial Times.

O jornal observa que Mantega é visto como um expoente da ala "desenvolvimentista" do governo, que teria mantido uma relação de atrito com a visão mais ortodoxa de Meirelles.

Para um analista ouvido pelo jornal, Dilma não deveria mexer "em algo que está funcionando". Ele advertiu que a redução das taxas de juros não deve ser feita rápido demais ou por meio do relaxamento da política fiscal.

Segundo ele, a substituição de Meirelles pode indicar o fim do regime brasileiro de meta de inflação, após intervenções recentes nos outros dois "tripés" da atual política econômica do país - o regime de câmbio flutuante, com a taxação aos investimentos estrangeiros para conter a valorização do real, e as reduções na dívida pública, com novas regras que tornaram menos transparente a prestação de contas públicas.

Outros analistas disseram ao jornal que "a confusão sobre as nomeações provocaram um aumento nas taxas de juros futuras e nas expectativas de inflação em um momento de incerteza nos mercados internacionais".

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