Franklin Martins é chamado para ajudar na defesa de Palocci

Ex-ministro deve contribuir na elaboração de uma estratégia de comunicação para defender o chefe da Casa Civil

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

A ida do ex-ministro da Comunicação Institucional Franklin Martins ao Palácio da Alvorada nesta sexta-feira motivou uma série de especulações dentro do próprio governo de que ele poderia substituir Antonio Palocci na chefia da Casa Civil.

Segundo pessoas com acesso à presidenta Dilma Rousseff, no entanto, o motivo da presença de Martins no palácio é justamente o contrário. O ex-ministro foi convocado para ajudar na elaboração de uma estratégia de comunicação para defesa de Palocci, desgastado por revelações sobre o crescimento de seu patrimônio por meio da empresa de consultoria Projeto, que só em 2010 teria faturado R$ 20 milhões.

Na avaliação de pessoas próximas a Dilma, a defesa de Palocci até agora tem se mostrado desastrosa. O episódio da carta escrita para orientar parlamentares aliados que acabou sendo enviada por engano para a oposição foi considerada errada tanto na forma quanto no mérito.

“Nem em 2005 (no escândalo do mensalão) usamos esta estratégia de nos defender acusando os outros de fazerem a mesma coisa”, disse uma fonte petista.

Os petistas lembram também que o argumento usado por Palocci (que ex-ministros de Fernando Henrique Cardoso enriqueceram ao deixar o governo) pode respingar em petistas como o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, desafeto de Palocci, que tem um escritório de consultoria em São Paulo.

A avaliação política no PT é que os responsáveis pelos ataques a Palocci devem soltar as informações a conta-gotas, com o objetivo de prolongar ao máximo a primeira crise do governo Dilma. A revelação pela Folha de S. Paulo de que a W. Torre, que tem negócios de R$ 1,3 bilhão com o governo, é uma das clientes da Projeto, seria um indício de que os interessados no desgaste do ministro têm a lista com todos os clientes da empresa.

Por isso, alguns petistas defendem que o ministro divulgue logo a relação completa de seus clientes para encerrar de uma vez a crise.

“Vão dizer que ele ganhou milhões? Vão. Mas é só isso”, defendeu um correligionário do ministro.

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