Fora da base, PR ainda controla postos-chaves do 2º e 3º escalões

Sigla prometeu entregar cargos, mas mantém apadrinhados na maioria das superintendências do Dnit e na diretoria da estatal Valec

Fred Raposo, iG Brasília |

O Partido da República (PR), que anunciou ontem o desligamento oficial da base do governo, ainda mantém postos-chave no segundo e no terceiro escalões do governo. Mesmo após a "faxina" que atingiu o PR no primeiro escalão do Ministério dos Transportes, a sigla controla 14 das 23 superintendências do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), além de ter um apadrinhado na diretoria da própria autarquia e dois cargos de direção na estatal ferroviária Valec.

Ontem, o presidente do PR, senador Alfredo Nascimento (AM), disse que, ao deixar a base governista, o partido entregaria os cargos. “Abrimos mão de todos os cargos ocupados por indicação de nossas bancadas. Tais espaços estão à disposição da administração federal”, afirmou Nascimento, que foi ministro dos Transportes até julho, quando acabou demitido após denúncias de irregularidades na pasta.

As superintendências do Dnit ligadas ao PR são conduzidas por afilhados de líderes regionais. É o caso do próprio Nascimento, que indicou Afonso Lins para o Dnit do Amazonas, que por tabela controla a regional de Roraima. No Tocantins, o braço da autarquia é dirigido por Amauri Souza Lima, indicação do senador João Ribeiro (TO), licenciado do mandato por motivos de saúde.

Na Bahia, o ex-senador César Borges, que preside o PR local, colocou José Lúcio Lima para comandar o órgão. Já em São Paulo, o secretário-executivo do partido, deputado Valdemar Costa Neto (SP), emplacou Ricardo Rossi Madalena na superintendência regional.

O próprio ex-diretor-geral do Dnit Luiz Antonio Pagot, que caiu este ano após denúncias contra a autarquia, teria indicado os nomes de José da Silva Tiago e Nilton de Britto, respectivamente para as superintendências do Paraná e de Mato Grosso. Pagot era braço direito do senador Blairo Maggi (MT), um dos caciques do PR. Nilton de Britto, no entanto, foi exonerado em meio à crise dos Transportes.

Outro senador do PR a emplacar um nome no governo foi Magno Malta (ES). Seu irmão, Maurício Pereira Malta chefia, desde setembro de 2007, a assessoria parlamentar da diretoria do Dnit em Brasília. Momentos antes do discurso de Nascimento, no Senado, Malta se mostrou contrariado com a decisão do partido de deixar a base. “Acertamos isso em reunião na tarde de hoje (ontem). Só o senador Magno foi contra”, disse Maggi.

Valec

O partido tem ainda dois nomes na diretoria da estatal Valec. Seu presidente interino é o diretor financeiro da empresa, Antonio Felipe Sanchez Costa. Ele substitui José Francisco das Neves, conhecido como Juquinha, afastado temporariamente da estatal em julho por denúncias de corrupção.

O nome de Juquinha, no entanto, aparece no Siorg - portal do Ministério do Planejamento que relaciona todos os cargos da administração federal - como atual presidente da Valec. Tanto Felipe Sanchez quanto Juquinha foram indicados para a estatal pelo secretário-executivo da sigla, Valdemar Costa Neto.

Decisão 'pessoal'

O líder do PR na Câmara, Lincoln Portela (MG), disse que a decisão de entregar os cargos é das duas Casas. Porém, assinalou que se trata de uma decisão “pessoal” das bancadas e dos parlamentares. “Queremos deixá-los à vontade para decidir se vão manter os cargos, caso o governo concorde”, afirmou Portela.

Para o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), a decisão do PR não deve fazer com que a presidenta  faça alterações no governo. “Esse assunto é a presidenta quem vai definir. Existem pessoas com bom desempenho. Mas não acredito que a presidenta vá fazer uma série de mudanças só porque o PR saiu da base”, ressaltou o petista.

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