FHC diz que decretou sigilo de documentos sem saber

Ex-presidente afirmou que assinou decreto sem ler e disse não ver razão para manter o segredo

Nara Alves, enviada a Brasília |

AE
FHC, com o vice Michel Temer e Sarney, no gabinete do presidente do Senado, antes da homenagem
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) defendeu nesta quinta-feira o fim do sigilo eterno dos documentos oficiais do governo. "Eu acho que não precisa de sigilo eterno. Não vejo mais razão para o sigilo", afirmou o tucano. FHC, entretanto, reconheceu que ele próprio assinou o decreto que restringe o acesso a informações oficiais. Mas disse não saber do que se tratava.

"Vocês vão me perguntar: 'Então por que você fez?' Fiz sem tomar conhecimento, assinei no último dia do mandato", afirmou o ex-presidente.

As declarações foram dadas pelo tucano nesta manhã, antes de uma visita ao presidente do Senado, José Sarney, também ex-presidente da República.

Sarney é um dos principais opositores ao fim do sigilo eterno, que é tema de um projeto que tramita no Senado. Fernando Henrique foi ao encontro com planos de expor sua posição ao presidente do Senado. "Além do mais vamos falar a verdade. Com o WikiLeaks e internet, o sigilo, meu Deus, desaparece", justificou.

O tema ganhou força nas últimas semanas, após a presidenta Dilma Rousseff ceder às pressões de setores da base e decidir patrocinar a manutenção do sigilo eterno dos documentos. Diante das pressões lideradas por senadores e mesmo por alguns integrantes da Esplanada dos Ministérios, Dilma recuou e agora deve deixar o assunto nas mãos do Congresso. O projeto deve ser votado até 15 de julho, segundo líderes governistas.

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