FGV pede mais R$ 800 mil para concluir reforma

Presidente José Sarney recebeu a proposta na semana passada. O caso será decidido por subcomissão criada para o assunto

Adriano Ceolin, iG Brasília |

Mais de um ano após a crise do Senado e sem ter seu projeto colocado em prática, a FGV (Fundação Getúlio Vargas) acaba de apresentar uma nova proposta de reforma administrativa para a Casa alvo de escândalos em 2009. Desta vez, porém, o preço é mais salgado: R$ 800 mil.

Segundo o iG apurou, a proposta foi levada ao conhecimento do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), na semana passada. Ele foi orientado por assessores a não aceitá-la caso contrário enfrentará críticas da opinião pública.

Em entrevista ao iG pouco antes de entrar no plenário para presidir a sessão nesta terça-feira, Sarney disse que não vai se envolver na reforma administrativa. “Agora esse assunto é com a comissão escolhida para tratar do tema”, disse.

Em fevereiro deste ano, o CCJ do Senado criou uma subcomissão para analisar o projeto de reforma administrativa apresentado no fim de 2009. O texto final teve como origem um documento produzido pela FGV em março do ano passado, ao custo de R$ 250 mil.

A proposta da instituição chegou a ficar disponível para consulta pública. Grupos de carreiras diferentes do Senado passaram a travar nos bastidores uma guerra para garantir direitos. A mais acirrada foi a entre consultores e técnicos, que não aceitavam perdas salariais.

A indefinição se estendeu até o último dia de atividade do Congresso, quando o primeiro-secretário Heráclito Fortes (DEM-PI) apresentou e tentou votar às pressas o projeto de resolução da reforma administrativa com 661 artigos e 124 páginas.

Na oportunidade, Heráclito disse ter o apoio dos outros seis integrantes da Mesa Diretora, que é presidida por Sarney. O primeiro-secretário acabou convencido pelos colegas de que a proposta tinha de ser submetida às comissões.

Em fevereiro, os senadores Jarbas Vasconcelos (PM DB-PE) e Tasso Jereissait (PSDB-CE) foram escolhidos, respectivamente, presidente e relator da subcomissão criada para avaliar a reforma administrativa do Senado.

Inicio da crise

A crise do Senado teve inicio em março de 2009, quando foi revelado que o então diretor-geral Agaciel Maia havia escondido da Justiça uma casa avaliada em R$ 5 milhões. Em seguida, também descobriu-se o pagamento de horas extras durante o recesso parlamentar.

Em maio, foi descoberto o pagamento de auxílio-moradia a senadores que usavam imóveis funcionais. Por fim, em junho, a crise atingiu seu ápice com a revelação sobre a existência de um esquema de atos secretos para nomeação de parentes e aumento de salários.

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