Favoritos de Dilma perdem força nas negociações do ministério

Até agora, nomes apontados originalmente como os favoritos da presidenta eleita cederam espaço a nomes próximos a Lula

Andréia Sadi e Danilo Fariello, iG Brasília |

Nomes apontados como preferências da presidenta eleita Dilma Rousseff para a composição do ministério parecem cada vez mais distante de ocupar postos-chave na estrutura do novo governo. Em uma operação que conta com a digital do presidente Luiz Inácio Lula da Silva , a equipe de transição tem optado por nomes que se mostram mais a “cara de Lula”, deixando de lado inclusive o critério técnico prometido para a definição de alguns setores da Esplanada.

Na medida em que avançam as negociações, cresce entre aliados de Dilma a avaliação de que ela terá de abrir mão de algumas de suas preferências para fazer nomeações políticas. Na bolsa de apostas dos ministeriáveis, o nome de Maria das Graças Foster, atual diretora da Petrobras e ligada a Dilma, estava cotado para a Casa Civil, presidência da estatal e para o Ministério de Minas e Energia. No entanto, o seu nome perdeu força e Graça agora tende a perder espaço para para um dos homens de confiança do presidente Lula - Antonio Palocci e Paulo Bernardo agora lideram a lista de favoritos para a Casa Civil.

Palocci foi homem forte do governo Lula e indicado pelo presidente para comandar a coordenação da campanha de Dilma. O ex-ministro da Fazenda transformou-se em um dos principais pilares da ação de Dilma durante a corrida presidencial. Ao fim da campanha, era tido dado como nome certo na Casa Civil. Segundo aliados do ex-ministro, Dilma o convidou a ocupar a Casa Civil, mas a preocupação dele estaria em ficar exposto demais, em função da visibilidade do cargo. Por isso, ele passou a ser cotado também para assumir uma versão turbinada da Secretaria Geral da Presidência

Com a presença dos homens de confiança do presidente Lula praticamente garantida no núcleo central do governo, o círculo mais próximo da presidenta ficou em segundo plano. Amigo de longa data de Dilma, o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel por enquanto figura como possível nome para o Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Lula teve à frente do ministério nos seus mandatos Luiz Fernando Furlan, sócio da Sadia, e Miguel Jorge, que tem trajetória executiva em bancos, meios de comunicação e na indústria automobilística. Mas um dos mais cotados para o cargo é o empresário Abilio Diniz, do grupo Pão de Açúcar. Já o ex-assessor de Dilma na Casa Civil Giles Azevedo deverá assumir a chefia de Gabinete da presidenta.

No ainda não criado Ministério da Micro e Pequena Empresa, entretanto, pode assumir Antonio Carlos Valadares (PSB), senador eleito cujo suplente é o presidente do PT, José Eduardo Dutra. Com a indicação, Dutra assumiria uma vaga no Senado. O nome de Valadares também está sendo cotado para a pasta do Turismo.

O PSB, no entanto, não estaria de acordo com esta composição, já que Valadares não é o nome do partido para ocupar qualquer um dos ministérios que pleiteia no governo da petista. Com isso, Valadares entraria na cota do PT e não do PSB - que reivindicaria um ministério a mais além dos três que espera ocupar. No governo Lula, o partido ocupa duas pastas - Portos e Ciência e Tecnologia -, mas agora está de olho na pasta da Integração Nacional. A pasta pertence ao PMDB, mas o PSB estuda abrir mão de Ciência e Teconologia em troca da pasta.

Time econômico

Na área econômica, nomes mais ligados a Dilma por ideologia ou trajetória política ficaram de fora do primeiro escalão. Ontem, Dilma confirmou a permanência de Guido Mantega na Fazenda e a entrada de Alexandre Tombini no Banco Central.  Bastante ligado do ponto de vista político e ideolígico, o atual presidente do BNDES, Luciano Coutinho, foi convidado e deve permanecer em seu cargo atual. No início das conversas, entretanto, ele chegou a ser mencionado nos bastidores como o nome preferido da presidenta eleita para liderar a área econômica do governo. 

A declaração de Mantega ontem, ao ser anunciada a nova equipe econômica, deixou claro que, pelo menos em 2011, o BNDES deverá ter uma redução de repasses do Tesouro Nacional em cerca de R$ 50 bilhões, em nome da austeridade fiscal. Isso significa que o BNDES deve perder ao menos parte do protagonismo que teve no rumo da economia nacional neste ano. Neste ano, o volume de aportes do Tesouro no BNDES ronda os R$ 100 bilhões.

Nos bastidores, o nome de Nelson Barbosa também era visto como um dos principais cotados para um cargo de destaque na economia. Atual secretário de política econômica do Ministério da Fazenda, ele foi, ao lado de Mantega, um dos principais assessores da campanha de Dilma para este setor. Entre o primeiro e o segundo turnos da eleição, Barbosa chegou a tirar licença do ministério para se dedicar exclusivamente à campanha. Ele chegou a ser cotado para assumir o BNDES ou o Ministério do Planejamento, mas deverá ser nomeado para uma pasta de menor peso, como a Previdência Social.

Coordenadora do PAC, Miriam Belchior foi confirmada no Planejamento. Por pelo menos duas vezes, Miriam foi cotada para assumir a chefia da Casa Civil: quando Dilma deixou o cargo para ser candidata e quando Erenice Guerra pediu demissão, depois de denúncias envolvendo sua família. Na saída de Dilma, era Miriam a preferida de Lula e, mesmo com a promoção de Erenice, Miriam permaneceu como única porta-voz do PAC.

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