Ana Fonseca, que formulou o Bolsa Família, vai cuidar do novo programa que o governo Dilma pretende lançar

Formuladora do Bolsa Família ainda no primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010), a cientista política Ana Fonseca, 51 anos, foi anunciada nesta quinta-feira como secretaria-executiva do programa de combate à pobreza extrema. Trata-se a prioridade da presidenta Dilma Rousseff neste inicio de governo.

Agência Estado
A nova ministra do Desenvolvimento, Tereza Campello, e a secretária Ana Fonseca
Em entrevista ao iG por telefone, Ana Fonseca explicou por que o programa passou a ser associado ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), embora o próprio governo não tenha adotado para o projeto o nome “PAC da miséria”. “Falaram PAC em alusão ao modelo de gestão”, disse. “Vamos fazer as ações do governo confluírem”, completou.

Cientista Política formada pela Unicamp, Ana Fonseca atuou ao lado de Dilma na transição para o primeiro governo de Lula, em 2002. Em seguida, ela foi convidada para ser assessora especial da Presidência da República, função na qual ajudou a formular o Bolsa Família, em setembro daquele mesmo ano.

Quando a gestão do programa foi transferida para o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, em janeiro de 2004, Ana foi escolhida secretária-executiva da pasta subordinada ao então ministro Patrus Ananias (PT). No entanto, em menos de um ano, ela deixou o governo por desentendimentos com Patrus. Leia abaixo a íntegra da entrevista:

iG - Como vai ser sua nova tarefa no governo?
Ana Fonseca: Vou ser a secretária-executiva de um comitê gestor de enfrentamento da pobreza extrema.

iG - O que a presidenta Dilma pediu para a senhora?
Ana - Hoje ela me anunciou à equipe juntamente com a ministra Tereza Campello ( Desenvolvimento Social ) para os outros ministros para a gente começar a conversar.

iG - Como a senhora foi convidada? Foi ainda durante o governo de transição?
Ana - Foi esta semana.

iG - A senhora estava morando em Campinas?
Ana - Quando eu saí ( do governo federal ) eu fui para as Nações Unidas para acompanhar a estratégia de combate à pobreza na América Latina e Caribe. Depois, eu fui para a FAO para uma atividade muito parecida. E este ano eu voltei para a Unicamp.

iG - A senhora vai ficar subordinada ao Ministério do Desenvolvimento Social ou ligada diretamente à Presidência da República?
Ana - Ao Desenvolvimento Social.

iG - Agora o desafio é maior do que quando formulou o Bolsa Família?
Ana - Eu entendo que o Bolsa Família tem cumprido um papel muito importante, sobretudo nos anos 2003 e 2003. O programa impediu que as pessoas caíssem numa situação de pobreza extrema. O programa cresceu muito. Hoje são 12,8 ou 12,7 milhões de família. São desafios diferentes. São bons desafios.

iG - Mas é a principal diferença?
Ana - O Bolsa Família tinha um âmbito que era educação, saúde, vincula à alimentação. Cumpriu um papel importante no âmbito do seu desenho. Esse novo programa não está desenhado ainda, por isso foi só a primeira reunião. Haverá um conjunto de reuniões com os ministros para definir para ter foco. Para saber quais são os programas e ações prioritários. Então, é um programa que está sendo desenhado ainda. O programa ainda não tem nenhum nome ainda.

iG - Disseram que é PAC da miséria.
Ana - Falaram PAC em alusão ao modelo de gestão introduzindo pelo PAC ( Programa de Aceleração do Crescimento ).

iG - Um programa a todos ministérios.
Ana - Exato.

iG - Mas como isso pode ser desenvolvido? Como um ministério pode ajudar o outro?
Ana - Vamos fazer as ações do governo confluírem. Temos que olhar os territórios, a presença lá ( do governo ) e as necessidades. Acho que a combinação territórios e necessidades é um bom foco.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.