Político é investigado por suposto desvio de dinheiro público usado para manutenção da frota da prefeitura de Viradouro

A Polícia Civil de Bebedouro (SP) prendeu temporariamente hoje o ex-prefeito de Viradouro, José Lopes Fernandes Neto. O Ministério Publico Estadual e a polícia realizam a Operação Chapa Branca, que investiga suposto desvio de dinheiro público usado para manutenção da frota da prefeitura (serviços de mecânica e troca de peças).

Os envolvidos teriam usado notas fiscais frias, emitidas entre 2004 e 2006, para comprovar os gastos. O período coincide com as duas gestões de Zé Lopes, como é conhecido o político. O empresário Fernando Felício, outro investigado e que tinha a prisão temporária decretada pela Justiça, se apresentou hoje à delegacia seccional de Bebedouro.

O promotor Ivan Cintra Borges iniciou a investigação, em sigilo, há um ano e meio, e há um mês instaurou inquérito na Polícia Civil de Bebedouro. "Antes era um inquérito civil, mas como tem responsabilidade criminal pedi a abertura de inquérito por enriquecimento ilícito", disse Borges, que ainda não sabe quanto seria o montante desviado dos cofres públicos.

Até agora, segundo ele, mais de 100 notas fiscais frias foram encontradas. Algumas pessoas já foram ouvidas hoje, e outras serão interrogadas amanhã e na próxima segunda-feira, data em que vence as prisões temporárias de Zé Lopes e Felício. As prisões foram pedidas para que ambos não coagissem eventuais testemunhas ou atrapalhassem as investigações, pois Viradouro tem cerca de 18 mil habitantes.

Segundo Borges e o delegado Maurício Vieira Silva, de Bebedouro, que preside o inquérito, o esquema envolve empresários dos setores de peças e de mecânica de várias cidades, entre elas Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Catanduva e Bebedouro. As notas fiscais frias, de consertos ou trocas de peças dos carros oficiais da prefeitura de Viradouro, tinham valores superfaturados ou eram emitidas sem as execuções dos serviços.

Zé Lopes tem 48 anos e foi prefeito de Viradouro por três vezes. A primeira gestão dele foi entre 1993 e 1996. As duas últimas ocorreram entre 2001 e 2008. Silva informou que Felício é empresário na cidade, mas estava sempre na prefeitura, atuando como uma espécie de "intermediário" entre o poder público e os empresários de mecânica e autopeças. O prefeito e Felício teriam dividido a maior parte do dinheiro público desviado, segundo o delegado.

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