Ex-chefe de gabinete de Yeda é denunciado por espionagem

Para o MP, Ricardo Lied acessava ilegalmente dados sigilosos de políticos, advogados, delegados e jornalistas

AE |

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O Ministério Púbico (MP) do Rio Grande do Sul denunciou, nesta sexta-feira, três acusados de utilizarem ilegalmente o Sistema Consultas Integradas do Estado - cadastro geral de identificação de pessoas físicas. O ex-chefe de gabinete da governadora Yeda Crusius e um militar da reserva lotado no Palácio Piratini seriam os mandantes dos acessos.

Quatro meses e meio após anunciar a investigação, o promotor Amilcar Macedo indicou o sargento da Brigada Militar (BM) César Rodrigues de Carvalho, 39 anos, como responsável por acessar ilegalmente dados sigilosos de políticos, advogados, delegados de Polícia, oficiais da BM e de jornalistas.

Para o MP, Rodrigues trabalhava a mando do ex-chefe de gabinete da ex-governadora do RS Yeda Crusius, Ricardo Luís Lied, 36 anos, e do tenente-coronel da reserva da Brigada Militar Frederico Bretschneider Filho, 48 anos, ex-assessor do gabinete.

Rodrigues foi denunciado pelo crime de concussão (exigir vantagem indevida), já que foi flagrado cobrando propina de um contraventor ligado aos caça níqueis em Canoas, Região Metropolitana de Porto Alegre - fato que deu origem a toda investigação. Já Lied e Bretschneider por violação de sigilo funcional (revelar fato de que tem ciência em razão do cargo).

A mando dos seus superiores - e às vezes por pura curiosidade -, o sargento fez uma verdadeira devassa na vida de autoridades, políticos e até jornalistas. Foram 96 mil consultas; 1,2 mil em uma semana. Entre os bisbilhotados, está o filho de 8 anos da ex-deputada estadual petista e agora secretária do governo de Tarso Genro, Stela Farias.

Rodrigues, que atuava na Casa Militar do governo do Estado, chegou a ser preso preventivamente em setembro, mas já está em liberdade. Após a publicidade de seu envolvimento no caso, ele foi agraciado com uma função gratificada na Secretaria de Segurança do Estado, ocupando o lugar de um general, o que levantou suspeitas do envolvimento de mais assessores de Yeda no caso.

O promotor Amilcar Macedo também entrou com pedido de revogação do segredo de Justiça que, se concedido, permitirá a divulgação de detalhes da investigação.

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