'Eu sabia que era eu', diz Dilma sobre candidatura à Presidência

Numa longa entrevista à apresentadora Ana Maria Braga, presidenta disse que não trabalha 'menos de 12 horas por dia'

iG São Paulo |

Numa longa entrevista que concedeu ao programa da apresentadora Ana Maria Braga, a presidenta Dilma Rousseff falou sobre o câncer contra o qual lutou em 2009, voltou a exaltar o fato de ser uma "mulher forte" e detalhou seu dia a dia no Palácio do Planalto. Dizendo viver uma rotina pesada na nova função, a petista relembrou o processo que a levou a disputar a Presidência em 2010, liderado pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva .

Renato Rocha Miranda/TV Globo
Dilma Rousseff e Ana Maria Braga, durante a entrevista gravada na última segunda-feira
"Lula me disse: 'Você é minha candidata à Presidência'. Eu sabia que era eu", afirmou a presidenta, acrescentando que seu padrinho político, embora seja "muito exigente, como deve ser um presidente", é também "muito afetivo".

Dilma tornou-se candidata à Presidência contrariando inicialmente a movimentação de vários setores do PT. Com pouco tempo de filiação à sigla, ela acabou furando a fila pela corrida presidencial, ao ter sua candidatura articulada diretamente por Lula.

Na entrevista, Dilma falou também sobre a rotina no cargo e comentou que já saiu do trabalho "algumas vezes" às 23h30. Sobre qual é sua carga horária diária, em média, respondeu: "Não menos de 12 horas".

Questionada sobre qual considera ser o lado negativo de ter chegado ao Planalto, Dilma queixou-se de não poder mais "andar na rua como andava antes". "É uma coisa muito boa andar na rua", disse, acrescentando que a nova função é um "grande desafio". "Você não resolve as coisas em um único dia. É como se você tivesse que escalar um Everest", emendou.

Trajada em um discreto terninho cinza, Dilma gravou a entrevista na segunda-feira, no Rio de Janeiro. A apresentadora, referiu-se a Dilma como presidenta, atendendo à preferência da própria petista .

Ontem, após a gravação, a emissora divulgou alguns trechos da entrevista, como aquele em que a presidenta falou sobre o câncer contra o qual lutou em 2009, que descreveu como "um dos momentos mais difíceis da sua vida". A apresentadora, que também passou por um tratamento contra a doença, recebeu elogios da presidenta pela ligação que fez à época e a solidariedade prestada a Dilma. “Foi uma coisa muito boa que você fez. A solidariedade é fundamental”, disse Dilma.

A entrevista foi intercalada com depoimentos de vizinhos e pessoas próximas à presidenta, além de relatos de pessoas comuns. “Tenho com o povo brasileiro uma relação de igualdade. Me tratam intimamente, conversam comigo e falam coisa importantes”, disse Dilma.

A emissora colheu também um depoimento da ex-senadora Marina Silva (PV-AC), que disputou com Dilma o Palácio do Planalto. A ex-adversária perguntou à presidenta quais políticas ela planeja em apoio às mulheres. "Eu tenho certeza de que uma política de erradicação da pobreza tem que ser concentrada nas mulheres e nas crianças", respondeu Dilma. A presidenta citou como exemplo a política de emitir títulos e escrituras de imóveis populares em nome da mulher.

Omelete

Ao fim da entrevista, Dilma preparou um omelete junto com a apresentadora. A presidenta, que está em dieta para tentar perder o peso que ganhou na corrida presidencial, pediu que Ana Maria economizasse no azeite. "Só um pouquinho", disse a petista, alegando já ter perdido 6 kg. "Agora estou naquela plataforma. Mas ainda vou perder o resto", emendou.

A presidenta aproveitou para falar sobre o salário mínimo . "O brasileiro não precisa se preocupar que seu poder de compra vai crescer", afirmou Dilma, citando que a política adotada pelo governo prevê elevar o mínimo para um patamar superior a R$ 600 no próximo ano.

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