'Estou lutando para não morrer', afirma Alencar

Médicos fizeram série de recomendações para viabilizar participação do ex-vice; Dilma e Lula acompanharam o ex-vice

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

Fora do hospital pela primeira vez desde 22 de dezembro, o ex-vice-presidente José Alencar disse hoje que se coloca nas mãos de Deus, mas que segue lutando para não morrer. Homenageado nesta terça-feira com a Medalha 25 de Janeiro, durante o aniversário da cidade de São Paulo, Alencar falou sobre sua luta contra o câncer que o acomete desde a década de 90 e se agravou nos últimos meses.

Futurapress
Alencar foi homenageado com a Medalha 25 de Janeiro
"Ainda não estou bem. Estou bem melhor, mas ainda não estou bem", disse o ex-vice, que foi acompanhado pela presidenta Dilma Rousseff e pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na cerimônia, cujo anfitrião era o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM). "Eu faço a minha parte e estou lutando para não morrer", completou o empresário.

Apesar de enumerar desafios que enfrentou ao longo do tratamento - como um infarto e um endema pulmonar que, segundo ele, quase o "matou" - Alencar não perdeu o bom humor. Disse que aprendeu com Lula que os discursos têm de ser como "os vestidos das mulheres". "Nem tão curtos que nos escandalizem, nem tão longos que nos entristeçam".

Sua participação no evento, entretanto, ocorreu sob rigido controle dos médicos. Ele foi autorizado apenas a fazer um breve pronunciamento e receber a medalha. Foi providenciada uma ambulância para acompanhar o ex-vice, sob orientação do cardiologista Roberto Kalil Filho. Os médicos apresentaram à prefeitura uma série de recomendações para viabilizar a participação de Alencar no ato. Pediram, por exemplo, que o ambiente fosse o mais ventilado possível.

Durante o evento, Alencar emocionou os convidados ao comemorar comemorou o atual momento de sua vida, apesar do tratamento médico. “Se eu morrer agora vou morrer feliz. A situação não poderia estar melhor para mim. O Brasil inteiro está rezando por mim. Não tem como melhor ar”, disse o ex-vice.

O otimismo de Alencar contagiou os demais participantes do evento. Encarregado de fazer uma saudação ao homenageado, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), disse esperar em breve poder brindar a recuperação do ex-vice com a cachaça Maria da Cruz, produzida pelo próprio Alencar. Anfitrião do evento, Kassab também fez uma piada ao dizer que aumentaram os pedidos de consulta com a equipe médica do ex-vice. “Ele está melhor agora do que quando entrou”, brincou Kassab.

Última a discursar, Dilma chegou a ficar com os olhos cheios de água ao falar da “lição de dignidade” que Alencar  dá ao país. “É muito simbólico que seja aqui em São Paulo essa homenagem a um homem com forte espírito empreendedor e cívico”, disse ela, que fez uma citação especial à mulher de Alencar, Mariza Campos Gomes da Silva.

Embora fosse um evento festivo, a homenagem teve forte simbolismo político. Foi o primeiro encontro público entre Dilma e Lula desde o início do governo. Foi também a primeira vez que Lula apareceu em público desde que deixou o governo, agora no papel de coadjuvante, explicitado por Dilma, que fez questão de lembrar que a “maior autoridade” do dia era Alencar.

O ex-presidente optou pela discrição. Consultado pelo cerimonial da prefeitura sobre a possibilidade de discursar, Lula declinou. Ele passou o tempo todo ao lado de Alencar, com quem trocava comentários e sorrisos ao longo da cerimônia.

Roteiro restrito

Após o evento, Alencar pediu aval dos médicos para almoçar no apartamento onde mora, no bairro dos Jardins, na capital paulista. A equipe do Hospital Sírio-Libanês concedeu a autorização e estuda a possibilidade de permitir que o ex-vice passe a noite em sua casa. Ele passará por uma avaliação médica no fim do dia, para avaliar se tem condições de permanecer fora do hospital.

Alencar queria ter participado mais cedo da missa em comemoração ao aniversário de 457 anos da cidade de São Paulo, mas os médicos não concederam autorização. Mariza desculpou-se com Gilberto Kassab pela ausência do marido.

A missa, realizada logo cedo na Catedral da Sé, teve a presença de partidários do governo Dilma e adversários da administração federal. Além da mulher e o filho de Alencar, Josué Gomes da Silva, também compareceram o deputado eleito Gabriel Chalita (PSB), o governador Alckmin e a primeira-dama do Estado, Lu Alckmin.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso também receberia a Medalha 25 de Janeiro nesta terça-feira, mas teve de se ausentar da cerimônia por causa de um compromisso internacional. Já Alencar foi acompanhado da presidenta Dilma e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva .

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