Estilo 'low profile' marca primeira viagem de Dilma após eleição

Petista prefere agir de forma discreta na estreia internacional como presidenta eleita, na Coreia do Sul

Andréia Sadi, enviada a Seul |

Acostumada a acompanhar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como ministra da Casa Civil e candidata, Dilma Rousseff procurou se manter discreta e demonstrou cuidado para não roubar a cena durante sua primeira viagem como presidenta eleita e a última do presidente na reunião do G20. Alvo preferencial dos jornalistas, Dilma adotou uma postura "low profile"- sem entrevistas longas, apenas conversas rápidas com e aparições dosadas - para não "passar por cima" do presidente, segundo avaliação de assessores.

Visivelmente desconfortável com assédio da imprensa no primeiro dia da viagem, Dilma recusou a definição de que seria "atração" durante a cúpula do G20, nesta sexta-feira. Em uma conversa rápida com jornalistas, no lobby do Imperial Palace, onde está hospedada, Dilma disse que atração é presidente em exercício do cargo e presidente eleito é apenas notícia. Ela evitou também dar declarações "oficiais", ao dizer que não iria "engrossar a voz" no G20 contra a guerra cambial porque "ainda não tinha voz".

Pessoas próxima a Dilma contaram que a presidenta estava "tensa" com a viagem e pediu ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, que a acompanhou no voo de ida, que a atualizasse com as pautas da reunião do G20, para caso de necessidade, já que não há previsão de que ela fale no encontro.

No primeiro dia da viagem, Dilma despistou jornalistas e saiu para um rápido jantar no restaurante Bambo House. No dia seguinte, saiu pela manhã acompanhada pelos assessores para conhecer o Palácio Imperial, onde visitou o jardim secreto, e à noite acompanhou Lula no jantar oficial de abertura do
G20, no Museu Nacional da Coréia.

Hoje, sexta-feira, antes de sair para a reunião da cúpula das maiores economias dos mundo, Dilma parou por cinco minutos para conversar com a imprensa. Ao lado de Lula, foi a presidenta eleita quem deu as declarações, embora econômicas, nesta manhã. A presidenta falou da mudança na rotina e diz que já se acostumou com o aparato presidencial "porque é inexorável". " Mas quando eu era ministra a vida não era muito normal, não", afirmou.

Dilma disse que pensa todos os dias quando acorda que precisa desempenhar o papel para o qual foi eleita e avaliou como uma "missão a desempenhar". Questionada se é mais difícil resolver os problemas reais da Nação ou montar ministério, Dilma respondeu: "Sem dúvida, os problemas reais da Nação".

Lula e Dilma devem voltar para o Brasil ainda nesta sexta-feira. Dilma foi a Seul em voo comercial, mas volta no AeroLula com o presidente, Mantega, e o governador do Ceará, Cid Gomes. O voo de volta está previsto para São Paulo. No final de semana, há uma expectativa de que Dilma passe em Porto Alegre para ver o neto, Gabriel, a filha, Paula, mas a agenda ainda não foi confirmada.

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