Esporte vai investigar atuação de servidores após denúncia

Ministério vai instaurar uma comissão de sindicância interna para apurar as suspeitas de irregularidades na pasta

Reuters |

O Ministério do Esporte vai instaurar na terça-feira uma comissão de sindicância interna para apurar a denúncia de que os servidores Fábio Hansen e Charles Rocha fraudaram documentos para beneficiar o policial militar João Dias Ferreira e evitar a cobrança de aproximadamente 3 milhões de reais por ele não ter cumprido com convênio firmado com a pasta.

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A denúncia foi publicada na revista Veja desse final de semana, baseada numa gravação feita por Ferreira em abril de 2008 durante uma reunião entre ele e os dois servidores.

À época, Hansen era chefe de gabinete da Secretaria de Esporte Educacional, que era responsável pelos convênios do programa Segundo Tempo, e Rocha, que já deixou a pasta, era chefe de gabinete da secretaria-executiva do Ministério.

No diálogo divulgado pela publicação, os dois orientam o PM a pedir a revisão de uma decisão que o condenava a devolver 3 milhões de reais de convênios que ele não teria prestado contas ao governo federal.

A comissão irá investigar se os dois servidores cometeram erros e pode abrir um processo administrativo disciplinar contra eles, resultando até numa possível exoneração no caso de Hansen, que hoje é diretor do departamento de gestão de programas de esporte, educação, lazer e inclusão social do Ministério do Esporte.

AE
Ministro do Esporte, Orlando Silva
Uma fonte do Palácio do Planalto, que pediu para não ter seu nome revelado, disse à Reuters nesta segunda-feira que a exoneração de Hansen está sendo cogitada pelo governo e colaboraria para esvaziar politicamente o depoimento do policial militar na Câmara dos Deputados, marcado para a próxima quinta-feira.

Ferreira também acusa o ministro Orlando Silva de ter recebido dinheiro de um suposto esquema de desvio de recursos do programa Segundo Tempo que beneficiaria o PCdoB, seu partido.

Apesar das denúncias contra a pasta, Silva conversou com a presidente Dilma Rousseff na última sexta-feira e foi mantido no cargo, pelo menos enquanto não surgirem denúncias que comprovem seu envolvimento em algum ilícito.

Uma fonte do governo disse na sexta que a presidente aguardaria a repercussão política da sua decisão e depois tomaria uma decisão definitiva sobre o futuro de Silva no governo.

Um assessor do Palácio, que falou sob condição de anonimato, avaliou nesta segunda-feira que o noticiário contra o ministro diminuiu, mas ainda há riscos para sua manutenção no cargo. Um deles será o depoimento de Ferreira no Congresso.

Essa fonte indicou que a base aliada na Câmara será mobilizada para constranger o acusador de Silva durante seu depoimento na quinta, tentando diminuir a pressão sobre o governo.

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