Escutas clandestinas são achadas na Assembleia do Paraná

Equipamentos israelenses de alta tecnologia que custam até R$ 50 mil foram instalados em forro de sala. Polícia investiga

Luciana Cristo, iG Paraná |

Um quarto grampo telefônico foi detectado na tarde deste domingo (6) na Assembleia Legislativa do Paraná. Também foram encontrados câmera de vídeo e equipamento de áudio nas instalações da 2ª secretaria da Casa, ocupada anteriormente pelo presidente da Casa, deputado Valdir Rossoni (PSDB). A câmera de vídeo estava instalada no antigo gabinete de Rossoni e o equipamento de escuta na antessala. Os equipamentos foram apreendidos pelo Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), da Polícia Civil, e encaminhados para perícia técnica da Polícia Científica.

Encontrado na central telefônica da Assembleia Legislativa, o esquema de escuta permitia ouvir conversas telefônicas a partir de um ramal instalado no plenário para uso da presidência da Casa. O perito em sistemas de segurança Antonio Carlos Walger informou que o grampo descoberto neste domingo permitia captar, retransmitir e gravar qualquer conversa feita através do ramal telefônico numa distância de até 100 metros.

Por enquanto, os técnicos da empresa de segurança não souberam precisar há quanto tempo o grampo foi instalado. O aparato vai passar por análise técnica da Polícia Civil e pode desencadear um inquérito policial para apurar responsabilidades. O trabalho está sendo feito durante o final de semana porque todo o sistema do local precisa estar desligado.

Rumores dando conta que conversas dos deputados que integram a mesa diretora da Assembleia estavam sendo monitoradas levaram o presidente da Casa a determinar a varredura em busca de qualquer sistema de escuta e gravação irregular. O presidente Valdir Rossoni (PSDB) disse não se surpreender com os equipamentos de vídeo e áudio encontrados na sua antiga sala. “Eu já tinha esse receio e a minha desconfiança foi confirmada. Tudo isto que está sendo revelado demonstra o grau de insegurança e o risco a que todos estávamos expostos”.

Na tarde deste domingo, o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná aproveitou para convocar todos os novos diretores da instituição para uma reunião de trabalho. O encontro serviu para alinhar a equipe e discutir prioridade de ações a serem adotadas pela Casa a partir desta segunda-feira (7). Uma auditoria da Fundação Getúlio Vargas (FGV) para rever gastos e contratação de pessoal também deve começar nesta semana.

Grampos descobertos

Uma varredura realizada na manhã deste sábado na Assembleia Legislativa do Paraná descobriu três centrais de escutas clandestinas montadas nos gabinetes do presidente da Casa, deputado Valdir Rossoni (PSDB), e do primeiro secretário, deputado Plauto Miró (DEM). Rossoni responsabilizou a antiga equipe de segurança por não ter detectado e desmontado o esquema. Os antigos seguranças, que exerciam cargo de confiança, foram exonerados na última segunda-feira. Em razão da exoneração, a Polícia Militar ocupou o prédio e passou a fazer a segurança dos deputados e funcionários.

"Ou os seguranças foram negligentes no trabalho ou coniventes com o crime", disse o deputado. "Armaram essa estrutura para tentar fazer algo contra nós, veja o grau de bandidagem a que o Paraná chegou."

Segundo o presidente, a varredura foi feita a conselho do chefe do gabinete militar da presidência, tenente-coronel Arildo Luís Dias. "Doa a quem doer, vamos até as últimas consequências com as investigações para apurar todas as irregularidades cometidas na Assembleia", assegurou o presidente.

O técnico em dispositivos eletrônicos da empresa de segurança Embrasil, Antônio Carlos Walger, considerou os equipamentos "incomuns" e de "alta tecnologia". De acordo com ele, são israelenses, custando entre R$ 20 mil e R$ 50 mil, e foram instalados recentemente no forro das salas.

*Com AE

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