Escândalo frustra planos do PT em Campinas

Doze pessoas suspeitas de participar de esquema de fraudes em licitações foram presas nesta sexta-feira, em Campinas

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

O escândalo envolvendo o vice-prefeito de Campinas, Demétrio Vilagra (PT), em um esquema de fraudes em licitações da Sanasa obrigou o partido a rever o plano de lançar candidato próprio na maior cidade do interior do Estado. 

Em atrito com o prefeito Hélio de Oliveira Santos, o Dr. Hélio (PDT), desde a formação da chapa para a disputa do governo paulista, em 2010, o PT planejava lançar o presidente do Ipea, Marcio Pochman, como candidato à prefeitura, conforme adiantou o iG na coluna Poder On Line .

Os atritos entre o PT e o prefeito vêm pelo menos desde a eleição do ano passado. Líder de uma ala do PDT paulista contrária ao deputado Paulo Pereira da Silva, Dr. Hélio condicionou seu apoio ao então candidato a governador Aloizio Mercadante à indicação do candidato a vice. Segundo petistas que participaram das reuniões, a esposa e chefe de gabinete do prefeito, Rosely Nassim Jorge Santos, também envolvida no escândalo, incentivou os atritos, ameaçando apoiar explicitamente o tucano Geraldo Alckmin caso o PT não atendesse a reivindicação.

Segundo dirigentes do partido, o envolvimento do vice-prefeito no escândalo jogou por terra o plano. É consenso entre os petistas que o partido sai chamuscado pelo episódio. Vilagra, que passa férias na Espanha, teve a prisão decretada por envolvimento com a máfia da Sanasa.

AE
O vice-prefeito de Campinas, Demétrio Vilagra (PT), em viagem, é considerado foragido pela polícia
Visto como um “forasteiro” no PT de Campinas, Vilagra ascendeu politicamente no vácuo aberto pelo assassinato do prefeito Antonio da Costa Santos, o Toninho, no dia 10 de setembro de 2001.

O vice-prefeito integra a corrente interna PT de Lutas e de Massa (PTLM), liderada pelos irmãos Jilmar, Ênio e Arselino Tatto, respectivamente deputados federal, estadual e vereador. Os Tatto reproduziram em Campinas a estratégia usada para ampliar seu prestígio na capital. Promoveram filiações em massa nas áreas periféricas, ganharam forças nas eleições internas para cargos de direção e ampliaram seu poder no partido ao ponto de suplantar lideranças tradicionais como o ex-deputado Renato Simões, secretário nacional de Movimentos Sociais do PT.

O escândalo envolvendo Vilagra é mais um na série de tropeços do partido na maior cidade do interior paulista. Campinas foi uma das primeiras grandes cidades do país administradas pelo PT, ainda na década de 80, quando o sindicalista e petroleiro Jacó Bittar, compadre e amigo pessoal do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi eleito.

Antes que o mandato chegasse ao fim, Bittar foi obrigado a sair do PT sob acusações de irregularidades na construção do metrô de superfície de Campinas em parceria com o então governador Orestes Quércia (PMDB), morto no ano passado.

O PT só voltou ao governo de Campinas na eleição de 2000, com a vitória de Toninho, ex-vice-prefeito e responsável pelas denúncias contra Bittar. Toninho, no entanto, foi assassinado a tiros no dia 10 de setembro de 2001.

Em 2004, o PT local, já sob forte influência dos Tatto, se aliou a Dr. Hélio e participou da administração indicando o vice e vários secretários municipais.

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