Escalado para o governo, Genoino diz não olhar para o 'passado'

Ao iG, deputado e futuro assessor minimizou o fato de ser réu no processo que corre no STF sobre o escândalo do mensalão

Flávia D'Angelo, iG São Paulo |

Recrutado para integrar o governo da presidenta Dilma Rousseff , o deputado José Genoino (PT-SP) diz não olhar para o passado ao apreciar o convite que recebeu para ser assessor especial do Ministério da Defesa. "Eu não olho esse retrovisor e não tenho esse objetivo”, disse o deputado ao iG , ao ser questionado sobre o fato de ser réu no processo que corre no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o escândalo do mensalão, centro da maior crise política do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva .

Genoino aceitou o convite, mas decidiu cumprir seu mandato até o final, dia 31 de janeiro. Em conversa com o ministro na terça-feira (11), Genoino lembrou que tem com Jobim uma "relação muito boa e muita amizade" e que já vinham trabalhando juntos em muitos projetos das Forças Armadas. "Vamos concretizar isso em fevereiro", disse o deputado.

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Genoino vai integrar equipe de assessores do ministro Nelson Jobim
Ao iG , Genoino afirmou que sempre teve uma relação fluente com as questões da defesa e disse manter uma relação de amizade e respeito com o ministro Nelson Jobim.

A entrada de Genoino no governo ocorre após o deputado passar anos longe dos holofotes. O deputado era presidente do PT quando veio à tona a série de denúncias que alimentou a crise de 2005 e teve de renunciar ao cargo após um assessor de seu irmão ser preso com dólares na cueca.

Ao garantir seu atual mandato parlamentar na eleição de 2006, Genoino acabou migrando para os bastidores e passou a comandar atividades de mobilização da militância no PT.

O deputado, que fez parte da resistência à ditadura militar, participando da luta armada durante a década de 1970, chegou a ser cotado para assumir o Ministério da Defesa assim que o PT chegou ao poder, em 2002. Na eleição do ano passado, entretanto, Genoino não conseguiu renovar o mandato e ficou apenas com o assento de primeiro suplente na bancada do PT na Câmara dos Deputados.

Genoino disse apoiar integralmente o projeto que Jobim está viabilizando frente à pasta. “É fundamental para um projeto de país uma visão moderna de defesa”, disse ele apontando que deve contribuir para uma melhor estratégia de defesa, debates nas escolas militares e, inclusive, uma reestruturação do ministério. “Farei de maneira humilde, sem concorrência e sem disputa. Vou ajudar o titular da pasta”, disse.

Apesar do convite ter sido formalizado na terça-feira em Brasília, Jobim e Genoino já conversavam sobre o assunto desde 2010. Ao confirmar o convite, o ministro disse considerar a presença do deputado “importante por sua capacidade de circular e de dialogar" e alegou que a sua presença seria de extraordinária importância pela familiaridade do deputado com o tema. Genoino disse que vai acertar os detalhes e fechar tudo em meados de fevereiro, quando tomam posse os deputados da nova legislatura. “Até lá sou deputado e não posso acumular funções”, reiterou.

* Com Agência Estado

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