Entenda quem são os personagens envolvidos no caso Celso Daniel

Crime ganhou repercussão nacional em razão das suspeitas de corrupção na Prefeitura de Santo André

Rodrigo Rodrigues, iG São Paulo |

Fundador do PT, o ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel, foi encontrado morto com oito tiros em uma estrada de Juquitiba, cidade da Região Metropolitana de São Paulo, em 18 de janeiro de 2002. O corpo dele estava desfigurado. A maioria dos tiros foram disparados no rosto.

O inquérito sobre a morte do petista determinou o indiciamento de oito pessoas, além de levantar suspeitas sobre políticos hoje de alta patente da política nacional. Conheça alguns dos personagens principais deste caso, que ganhou repercussão nacional em virtude das suspeitas de corrupção na prefeitura de Santo André.

Agência Estado
O empresário Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, um dos principais suspeitos no caso da morte do prefeito de Santo André, Celso Daniel, segundo o Ministério Público
Sérgio Gomes da Silva

Apelido: Sombra

O empresário é apontado pelo Ministério Público como o suposto mandante da morte de Celso Daniel. No dia do seqüestro do ex-prefeito de Santo André, os dois saíam de uma churrascaria do bairro dos Jardins, zona Sul de São Paulo. Sérgio dirigia a Pajero blindada de Celso Daniel no momento em que foram abordados pelos criminosos que sequestraram o petista. Em depoimento à Polícia Civil, Gomes conta que perseguiu os criminosos pelas ruas da cidade após o sequestro. Houve troca de tiros e vários deles atingiram o carro que o empresário dirigia.

Para o Ministério Público, no entanto, a perseguição não passou de uma armação para encobrir o crime. Segundo a promotoria, Gomes seria o responsável pela contratação de Dionísio de Aquino Severo, o líder do bando que seqüestrou o ex-prefeito de Santo André. O empresário e amigo de Celso Daniel teria combinado com os criminosos o caminho que faria naquela noite, informando, inclusive, o calibre das armas que poderiam ser usadas contra o carro sem dano a ele. A promotoria sustenta que o crime teria sido encomendado depois que Celso Daniel ameaçou denunciar o esquema de corrupção que se apoderou da administração pública de Santo André.

De acordo com o Ministério Público, Sombra seria o elo de ligação com o esquema de corrupção instaurado na administração da cidade. A tese é negada pela Polícia Civil, que concluiu que o assassinato foi um crime comum. Sérgio Gomes da Silva obteve um habeas corpus e aguarda o julgamento em liberdade desde 2004. Ainda não há data para Sombra ser julgado.

Dionísio de Aquino Severo

Dionísio era considerado pela Polícia o líder da quadrilha que seqüestrou e matou Celso Daniel. O acusado foi preso em 2002, mas conseguiu fugir do presídio de Guarulhos com a ajuda de um helicóptero, numa fuga considerada cinematográfica. Após ser recapturado em Alagoas, o acusado foi preso no Cadeião de Belém, na Zona Leste, onde foi assassinado dois dias depois da prisão.

Divulgação
Marco Roberto Bispo dos Santos, acusado de dirigir o carro que sequestrou o ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel
O inquérito sobre a morte apontou que o suspeito foi assassinado porque integrava o CRDB (Comando Revolucionário Democrático Brasileiro), facção criminosa adversária do predominante PCC (Primeiro Comando da Capital), que domina os presídios paulistas. Dionísio era apontado pelo Ministério Público como a pessoa que recrutou os vários envolvidos na morte do ex-prefeito. A morte de Dionísio impediu o indiciamento dele.

Marcos Roberto Bispo dos Santos

Apelido: Marquinhos

Após ficar oito anos preso por suspeita da participação no caso, Marcos Roberto Bispo dos Santos é apontado pela Promotoria como sendo o motorista de um dos três carros que participaram do sequestro do ex-prefeito de Santo André. Após a prisão em 2002, ele confessou à polícia participação no crime.

A confissão aconteceu na sede do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), em São Paulo, e está sendo contestada pela defesa. O advogado de defesa alega que o cliente foi vítima de tortura. Bispo dos Santos foi condenado a 18 anos de prisão pela morte de Celso Daniel, mas continua foragido.

Agência Estado
Rodolfo Rodrigo dos Santos Oliveira, o Bozinho, preso em São Paulo em 29/06/2007, acusado de envolvimento na morte do ex-prefeito Celso Daniel, de Santo André
Rodolfo Rodrigo dos Santos Oliveira

Apelido: Bozinho

Rodolfo também confessou à Polícia Civil ser um dos executores de Celso Daniel. Em juízo, porém, Bozinho mudou a versão e disse que foi torturado pelos policiais e obrigado a confessar um crime que não cometeu. Em 2006, contudo, Oliveira fugiu da penitenciária de Franco da Rocha, na Grande São Paulo, e só foi recapturado no ano seguinte.

Na versão do Ministério Público, ele também é apontado como a pessoa que cercou o carro de Celso Daniel e retirou o ex-prefeito do veículo onde estava. Ao fugir da penitenciária em 2006, Bozinho também foi acusado de envolvimento na morte do agente de escolta e vigilância penitenciária Genivaldo Lourenço da Silva, baleado durante a ação. Oliveira foi apontado também pelo irmão de ser o autor dos disparos.

Rodolfo foi condenado a 18 anos de reclusão e já estava preso. Por ser menor de 21 anos na época do crime, teve um atenuante na pena.

José Edison da Silva

Apelido: Zé Edison

Apontado por dois acusados como o mandante dos disparos contra Celso Daniel, José Edison da Silva, o Zé Edison, ficou preso até abril de 2010. Ele também foi arrolado no inquérito da morte do ex-prefeito de Santo André. O juiz Antonio Augusto Galvão de França Hristov, da 1º Vara Criminal de Itapecerica da Serra, decidiu condená-lo a 20 anos de prisão.

Reprodução
Ivan Rodrigues da Silva, o "Monstro", apontado pela Polícia Civil como o líder da quadrilha que atuava na favela Pantanal e sequestrou e matou Celso Daniel
Em seu interrogatório durante o julgamento, Edison negou conhecer os outros acusados e ter participado do crime. Disse que estava na Bahia quando Celso Daniel foi morto e também disse que não faz parte do PCC (Primeiro Comando da Capital). “Não é verdade, não sei por que sou acusado”, disse Edison da Silva. Mas não convenceu o juiz.

Ivan Rodrigues da Silva

Apelido : Monstro

O inquérito da Polícia Civil de São Paulo que investigou a morte de Celso Daniel apontou que o assassinato do ex-prefeito foi um crime comum praticado por uma quadrilha que atuava na favela Pantanal, em São Paulo. Na versão da polícia, a quadrilha era comandada por Ivan Rodrigues da Silva e Itamar Messias dos Santos. A hipótese levantada é que o crime foi cometido por conta de uma suposta tentativa de seqüestro frustrada.

Após descobrirem a identidade real do ex-prefeito, os criminosos teriam assassinado o ex-prefeito. Em depoimento À CPI dos Bingos, em 2005, “Monstro” afirmou que o ex-prefeito foi seqüestrado por ocupar um carro importado depois da frustrada perseguição a uma Dakota, na mesma noite de 18 de janeiro.

A versão da polícia contradiz a do Ministério Público, que concluiu que o crime foi político. Diz a Promotoria que Celso Daniel foi morto porque discordava do esquema de corrupção instalado na Prefeitura de Santo André. Os desvios estariam servindo não para abastecer o caixa do PT, mas para enriquecer os envolvidos.

Ivan Rodrigues foi condenado a 24 anos de reclusão e já estava preso antes do julgamento.

Elcyd Oliveira Brito

Apelido: John

Segundo o Ministério Público, Elcyd seria o autor de uma carta endereçada ao empresário Sérgio Gomes da Silva, o "Sombra", para cobrar o pagamento de R$ 1 milhão pela morte do prefeito. Preso em 2002 pelo crime, Elcyd fugiu do Centro de Progressão Penitenciária de Pacaembu no dia 4 de agosto de 2010 escalando e pulando os dois alambrados que circundavam a penitenciária, junto com outros dois presos. Elcyd foi preso novamente e aguarda julgamento, previsto para acontecer em agosto de 2012.

Reprodução
Itamar Messias Silva dos Santos,considerado braço-direito de Monstro na quadrilha que matou e sequestrou o ex-prefeito de Santo André, em janeiro de 2002
Itamar Messias Silva dos Santos

Apelido: Olho de Gato

Considerado braço-direito de Monstro, Itamar trabalhava como office-boy antes de cumprir pena na Cadeia Pública de Diadema até o ano 2000, por furto e porte de drogas. Durante a CPI dos Bingos ele confirmou a tese de crime comum e disse que teria libertado o prefeito de Santo André se soubesse quem ele era. Ele está preso aguardando julgamento.

Laércio dos Santos Nunes

Apelido: Lalo

Com apenas 16 anos na época do crime, Laércio dos Santos Nunes é apontado pela Polícia Civil como um dos autores dos disparos que mataram Celso Daniel. Preso na antiga Febem (hoje Fundação Casa) do Tatuapé na época do crime, ele fugiu da unidade prisional em 2005 e só foi recapturado no ano seguinte, em Taboão da Serra, na Grande São Paulo. Após ser preso pela primeira vez, o jovem conhecido como “Lalo” confessou o crime e disse que praticou o ato a mando de José Edson da Silva, um dos líderes do seqüestro, por coação.

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