Temor do governo e PT é de que Ciro saia atirando e prejudiquea candidatura de Dilma Rousseff à Presidência

O vice-presidente do PSB, Roberto Amaral, vai procurar nesta quinta-feira o deputado Ciro Gomes (SP), com uma missão: medir o risco Ciro no quadro eleitoral, caso o partido decida descartar de vez sua participação na corrida presidencial. O PSB, o PT e o Palácio do Planalto temem que Ciro saia atirando e prejudique a candidatura petista de Dilma Rousseff.

Foi movido por esse temor que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já anunciou sua intenção de também procurar Ciro para uma conversa nos próximos dias, a fim de acalmá-lo e aplacar suas mágoas. 

A direção do PSB só se reunirá para tratar do assunto no dia 27, mas, nos bastidores do partido, a avaliação é de que o descarte da candidatura é iminente. Segundo o iG apurou, o partido já começou a rascunhar uma carta aberta para justificar a saida de Ciro da corrida eleitoral.

Reunião com Lula 

Ciro e a cúpula do partido estão em Brasília desde quarta-feira. Hoje à tarde, Lula tem encontro com os três governadores socialistas - Eduardo Campos (Pernambuco), que acumula o governo com a presidência do PSB, Wilson Martins (Piauí) e Cid Gomes (Ceará), irmão de Ciro. A reunião é para tratar das obras da Ferrovia Transnordestina, mas a aposta geral é que a política também vai entrar na agenda.

O PSB vai cobrar do PT apoio do partido nos Estados. Atualmente, há quatro Estados em que os pré-candidatos do PSB estudam formar aliança com o PSDB, partido de oposição ao governo federal. São os diretórios socialistas de Alagoas, Amazonas, Paraíba e Paraná.

Artigo considerado ofensivo

Desde 29 de março, quando a direção do PSB se reuniu com Ciro para uma conversa sobre os prós e contras de sua candidatura, o deputado não quis mais conversa com o partido. Nem mesmo depois do artigo que postou em seu site pessoal na semana passada, cobrando do PSB uma posição sobre sua candidatura, ele atendeu aos telefonemas de líderes pessebistas.

A avaliação do partido é que Ciro errou ao publicar em seu blog uma carta em que critica o partido por articular uma coligação com a candidata do PT. A pouco mais de 60 dias do prazo final para as convenções partidárias, eu não consigo entender o que quer de mim o meu partido, escreveu, no dia 15.

A cúpula socialista considerou o artigo ofensivo, reclama que Ciro resolveu se isolar e que a falta de diálogo é ruim para todos. "O compromisso entre Ciro e Lula é muito maior que as divergências", argumenta Amaral, apostando em uma solução pacífica.

(*com reportagem de Adriano Ceolin, iG Brasília e informações da Agência Estado)

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