Líderes petistas acreditam que apoio da CNB, maior corrente interna do PT, pode fazer com que Haddad vá às prévias com pelo menos 40% de apoio

Diante da possibilidade concreta de ser submetido a prévias para disputar a prefeitura de São Paulo, o ministro da Educação, Fernando Haddad, renegou suas origens partidárias em troca do apoio da corrente majoritária do PT.

Em reunião com lideranças da tendência Construindo um Novo Brasil (CNB), a maior corrente interna do PT, Haddad negou peremptoriamente que um dia tenha pertencido à Mensagem, grupo minoritário ao qual Haddad é identificado.

Em dois discursos diante dos integrantes da CNB, Haddad disse que seu único movimento em direção ao grupo minoritário foi assinar o manifesto Mensagem ao Partido (que deu nome à tendência).

O manifesto foi lançado em 2005, no auge do escândalo do mensalão, quando um grupo integrado por petistas históricos como Marilena Chauí, Maria Victoria Benevides e Paul Singer passou a defender a refundação do PT. Este grupo, chamado inicialmente de refundacionista, argumentava que o mensalão era consequência dos desmandos do Campo Majoritário, corrente que deu origem à CNB.

O patrono dos refundacionistas era o então ministro da Justiça e atual governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, de quem Haddad foi secretário-executivo e sucessor no Ministério da Educação.

A estratégia funcionou. Líderes da CNB nas esferas municipal, estadual e federal aprovaram um indicativo de apoio a Haddad nas prévias que vão escolher o candidato do PT à prefeitura de São Paulo.

O indicativo será submetido quarta-feira aos diretórios zonais da corrente na Capital e, posteriormente a uma grande plenária com centenas de militantes. Na prática, a decisão já está tomada. “Agora só falta ser referendado por todos os zonais. Avalio que Haddad saiu bastante fortalecido da reunião”, disse o coordenador nacional da CNB, Francisco Rocha, o Rochinha. Pelas contas de líderes petistas da capital, com o apoio da CNB Haddad vai para as prévias com pelo menos 40% de apoio no partido.

Os demais candidatos são os deputados federais Carlos Zaratini e Jilmar Tatto e os senadoras Marta e Eduardo Suplicy.

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