Em texto, PT fixa limites para "faxina" de Dilma Rousseff

Partido diz que vai "repelir com firmeza as manobras da mídia conservadora e da oposição" na “criminalização generalizada da conduta da base"

Ricardo Galhardo, enviado a Brasília |

Na versão preliminar da resolução política a ser aprovada pelo 4º Congresso Nacional do PT, o partido faz uma enfática defesa das medidas moralizadoras tomadas pela presidenta Dilma Rousseff, mas aproveita para demarcar diferenças e fazer um alerta: a tentativa de aproximação de setores do PSDB e da “mídia conservadora” em torno da “faxina” ética não passa de um golpe para solapar a base de apoio no Congresso e paralisar o governo.

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O documento preliminar toma o cuidado de igualar Dilma e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no combate aos malfeitos. “Nunca na história deste país a corrupção foi combatida com tanta profundidade e sem protecionismos partidários como nos governos Lula e Dilma”, afirma o texto.

No entanto, o PT fixa limites ao dizer que o combate à corrupção “há de ser honrado sem desconstruir o Estado de Direito ou sonegar as garantias individuais. Sem esvaziar a política ou demonizar os partidos, sem transferir acriticamente para setores da mídia que se erigem em juízes da moralidade cívica”.

Mesmo sem citar nominalmente o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin , ambos do PSDB, o texto manda um recado sobre o que pensa o partido da recente troca de afagos entre Dilma e o tucanato.

“A oposição, apoiada –ou dirigida - pela conspiração midiática que tentou sem êxito derrubar o presidente Lula apresenta-se agora liderando uma campanha de ‘apoio’ à presidenta Dilma, para que esta faça uma ‘faxina’ no governo. Mesmo sem credibilidade, omissos que são no combate à corrupção nos seus próprios Estados e muitas vezes coniventes que foram nos governos federais dos quais participaram, esses políticos intentam, dissimuladamente, dissolver a base parlamentar do governo Dilma, a fim de bloquear suas iniciativas e neutralizar seus avanços”.

No item 92 do texto, o partido deixa claro que vai assumir a defesa de integrantes da base aliada denunciados pela imprensa.“O PT deve repelir com firmeza as manobras da mídia conservadora e da oposição de promover uma espécie de criminalização generalizada da conduta da base de sustentação”.

A expressão “mídia conservadora” é citada inúmeras vezes nas 24 páginas do documento. O texto esclarece a mudança estratégica de posição do partido em relação ao controle da mídia.

Enquanto Dilma mandou arquivar o projeto do ex-ministro da Comunicação Institucional Franklin Martins sobre o tema, o PT decidiu que o palco de atuação será o Congresso, onde o partido vai tentar aprovar um “marco regulatório” para os meios de comunicação e regulamentar artigos da Constituição ainda pendentes sobre o tema. A expressão “controle social” da mídia foi abandonada e as manifestações sempre são acompanhadas do repúdio total à censura.

“É uma tarefa do PT fazer o debate sobre o marco regulatório. A sociedade pode constituir um conselho para discutir o que seria algo razoável”, disse o secretário nacional do Comunicação do PT, André Vargas.

Embora o clima geral seja de indignação quanto à reportagem de capa da revista Veja que chama o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu de “poderoso chefão”, o texto base não cita nenhum nome ou episódio pontualmente. No entanto, não está descartada a aprovação de uma moção de apoio a Dirceu e repúdio à Veja durante o Congresso.

O texto será submetido aos 1.350 delegados da etapa extraordinária do 4º Congresso nacional do PT que acontece entre sexta-feira e domingo em Brasília.

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