Com a terceira maior bancada na Assembleia Legislativa do Estado, partido é cogitado para entrar na base do governador eleito

Com a terceira maior bancada de deputados na Assembleia Legislativa de São Paulo, com nove parlamentares no total, o PV é um dos partidos mais cobiçado pelo governador eleito Geraldo Alckmin (PSDB) na composição da equipe do futuro governo. Apesar de ser muito próximo dos tucanos em São Paulo, o Partido Verde não quer facilitar a vida do novo governador e simplesmente aderir ao novo governo, sem impor limites para a aliança.

Maurício Brusadin (direita), presidente estadual do PV em São Paulo, ao lado de Alfredo Sirkis (esq), deputado federal eleito pela legenda no Rio de Janeiro
Rodrigo Rodrigues/iG
Maurício Brusadin (direita), presidente estadual do PV em São Paulo, ao lado de Alfredo Sirkis (esq), deputado federal eleito pela legenda no Rio de Janeiro
Em reunião nesta quarta-feira na capital paulista, a executiva estadual do PV resolveu apresentar um documento de dez itens para levar a Alckmin antes de qualquer formalização de aliança. A estratégia é semelhante à usada pelo PV Nacional durante o segundo turno da eleição presidencial, onde Marina Silva condicionou as conversas de apoio a Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) mediante a adesão aos pontos apresentados pela sigla.

A ideia do PV de São Paulo é usar a plataforma construída para a candidatura de Fabio Feldmann ao governo para negociar qualquer acordo com os tucanos. Feldmann foi filiado ao PSDB até 2005 e foi o candidato de oposição menos crítico ao atual governo durante a campanha.

Os verdes querem arrancar compromissos claros de Geraldo Alckmin em relação à economia criativa, sustentabilidade, transporte, construção de parques e despoluição de rios, além de obras de infraestrutura para a Copa de 2014 que se ajustem às causas ambientais.

“A unidade do partido após o segundo turno da eleição nacional mostra que o PV quer condicionar qualquer acordo de aliança a projetos. Aderir a qualquer governo só por aderir não está nos nossos planos”, afirmou o presidente do PV em São Paulo, Maurício Brusadin. Os verdes já tiveram a primeira reunião com Geraldo Alckmin e Sidney Beraldo, chefe da equipe de transição, na semana passada. No encontro, o PV já anunciou a decisão de condicionar a aliança aos dez pontos do documento, que deve ser fechado até o final desta quinta-feira.

Secretarias
A entrega do documento deve acontecer na próxima semana, em um evento público que será promovido em parceria com a equipe de transição do governo. A partir da leitura desses pontos, Sidney Beraldo e Maurício Brusadin devem começar a discutir a ocupação de cargos no primeiro escalão do governo paulista.

Embora tucanos e verdes neguem em público qualquer conversa sobre cargos, nos bastidores já se fala na possibilidade do PV ocupar duas pastas do governo Alckmin: Meio Ambiente e Esporte. Um dos mais cotados para assumir a cadeira do Meio Ambiente é o próprio Fabio Feldmann, que já foi deputado federal do PSDB e também foi ex-secretaria de Meio Ambiente do governo de Covas e Alckmin.

O candidato derrota ao governo de SP, Fábio Feldmann (PV), durante debate na TV. Após derrota, o ex-tucano é cotado para assumir uma secretaria no governo Geraldo Alckmin
Agência Estado
O candidato derrota ao governo de SP, Fábio Feldmann (PV), durante debate na TV. Após derrota, o ex-tucano é cotado para assumir uma secretaria no governo Geraldo Alckmin
Para o presidente do PV, porém, independente da discussão, os dez pontos que o PV deve apresentar servirão para nortear diversas áreas de atuação do novo governo, independente das pastas que a legenda ocupará ou não. “Assim como fizemos na eleição presidencial, queremos pautar as discussões verdes em São Paulo. Se o Alckmin não quiser incorporar nossas propostas e optar por fazer um governo tradicional, nós entenderemos. Porém, o PV não vai abraçar um governo apenas por cargos. Nos reuniremos para decidir a linha de oposição que faremos no Estado, já que não nos interessa uma oposição ferroz, mas sim pontual, baseada em projetos”, afirma Maurício Brusadin.

Apesar de determinado a fazer oposição caso Alckmin rejeite as propostas do partido, o Partido Verde é velho parceiro dos tucanos em São Paulo. Além de ter ocupado a secretaria de Meio Ambiente nos governos de Covas e Alckmin, os verdes também ocuparam a Secretaria de Desenvolvimento Social no governo de José Serra, com a Rita Passos como secretária. Durante os três governos sucessivos dos tucanos em São Paulo, os verdes formam aliados de primeira hora do PSDB na Assembleia Legislativa do Estado. O PV também compõe a administração de Gilberto Kassa (DEM) prefeitura da capital paulista, ocupando a pasta de Meio Ambiente com Eduardo Jorge.

Na Câmara Municipal de São Paulo, o PV também dá suporte aos tucanos e democratas, tendo o presidente nacional do PV, José Luiz Penna, vereador recém eleito deputado federal, como expoente principal dessa aliança, iniciada na gestão de José Serra como prefeito.

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