Em São Paulo, protesto movimenta volta do recesso na Assembleia

Quase metade dos deputados faltou à sessão de reabertura da Casa, que dividiu atenções com audiência sobre Pinheirinho

Nara Alves, iG São Paulo |

O primeiro dia de trabalho em 2012 na Assembleia Legislativa de São Paulo, nesta quarta-feira, foi marcado por manifestações contrárias à desocupação no bairro Pinheirinho, em São José dos Campos, interior paulista. Enquanto no plenário acontecia a sessão de reinauguração da 17ª Legislatura, em um auditório a poucos metros dali centenas de manifestantes participavam de audiência sobre a polêmica ação da Polícia Militar no local.

Diogo Moreira/Futura Press
Manifestantes exibem cartaz em protesto contra ação policial no Pinheirinho
Polêmica: Secretaria da Presidência vê violação de direitos humanos no Pinheirinho

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), enviou o secretário chefe da Casa Civil, Sidney Beraldo (PSDB), como seu representante à sessão, que contou com apenas 50 dos 94 deputados paulistas. Após um discurso protocolar, em que fez um breve balanço dos trabalhos em 2011, Beraldo negou excessos por parte da PM e, indiretamente, criticou a postura da presidenta Dilma Rousseff , que qualificou de “barbárie” a ação de desocupação promovida em São Paulo.

“É importante registrar que essa ocupação já tem um tempo e o governo federal tinha conhecimento dela. Houve manifestações do próprio juiz, na época, em 2004, buscando alternativa para que o governo federal pudesse buscar mecanismos de desapropriação da área e isso não avançou. Depois que veio a reintegração é que houve essa preocupação. Aí, já era tarde”, afirmou Beraldo.

O secretário negou que o governo estadual tema prejuízo político-eleitoral por conta da repercussão negativa do caso Pinheirinho. “Não ( estamos preocupados com eventuais prejuízos políticos ). Nós estamos preocupados em cumprir a Legislação e que essas famílias sejam atendidas rapidamente”, disse. Para ele, não houve excessos por parte da PM e os alojamentos são adequados. “As informações que temos é que o alojamento é adequado, tem assistência médica, assistência social, três alimentações”, afirmou.

Nara Alves/iG
Manifestantes montaram um altar de bonecas retiradas dos escombros em Pinheirinho


Altar de bonecas

Na audiência sobre Pinheirinho, manifestantes assistiram a um vídeo sobre a ação da PM e alguns gritavam “assassinos”, em referência aos policiais. À frente do palco, foi montado um altar com bonecas e outros brinquedos retirados dos escombros após a demolição das casas.

Para o deputado Carlos Giannazi (PSOL), organizador da audiência, o governador Alckmin está fugindo dos manifestantes. “Alckmin está com medo, não quer se expor nem se indispor porque se aparecer por aqui será vaiado. O governador tem sido intransigente, autoritário. Solicitamos diversas audiências e ele não quis conversar”, disse Giannazi.

Segundo Beraldo, o governo enviou “representantes da Secretaria da Justiça” à audiência de hoje. A informação, no entanto, foi negada pelo deputado do PSOL.

De acordo com o líder do governo na Assembleia, deputado Samuel Moreira, é de praxe que o governador do Estado envie um representante na abertura dos trabalhos na Casa. “No ano passado quem veio também foi o Beraldo. Pinheirinho é um problema que tem de ser enfrentado, debatido”, disse.

AE
Audiência pública sobre Pinheirinho lotou auditório localizado a poucos metros do plenário onde foi formalizada reabertura dos trabalhos da Casa

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG